Os primeiros habitantes europeus da Ilha de Santa Catarina foram os sobreviventes de uma embarcação espanhola que afundou em 1516, em frente à praia hoje chamada Naufragados.

No final de 1521, viviam nove europeus na Ilha cada um deles em companhia de três ou quatro nativas. Durante a convivência com os índios, os novos habitantes ficaram sabendo da existência de um “rei branco” e a fabulosa “serra da Prata”, cujas informações foram passadas para navegantes portugueses e espanhóis que iriam se empenhar na conquista do rio do Prata. Por isso, as atenções das Coroas de Portugal e Espanha se voltariam para o litoral sul-brasileiro.

Em 1534, pelo tratado das Tordesilhas, a Ilha de Santa Catarina foi doada a Pedro Lopes de Souza, iniciando-se assim um pequeno povoamento e possibilitando posteriormente o início da ocupação oficial da costa catarinense, através da fundação de diversas vilas, entre elas Nossa Senhora do Desterro, fundada pelo bandeirante paulista Francisco Dias Velho, por volta de 1662.

Em 1730, com a criação da Freguesia, o pequeno núcleo populacional foi reconhecido como capaz de alguma organização e passou a ser chamado Freguesia de Nossa Senhora do Desterro, depois simplesmente Desterro.

A Ilha catarinense possuía uma posição valorizada por situar-se a meio caminho entre o Rio de Janeiro e Buenos Aires que juntamente com as vantagens físicas do porto de Desterro justificaram a criação da Capitania da Ilha de Santa Catarina, em 1738. O Brigadeiro José da Silva Paes foi designado para dirigir a Capitania e organizar o seu sistema de defesa. Então, foram construídas as fortalezas de Santa Cruz, na Ilha de Anhatomirim, em 1738; de São José da Ponta Grossa, em 1740; de Santo Antônio da Ilha de Ratones Grande, em 1740 e de Nossa Senhora da Conceição da Barra do Sul, em 1740.

O efetivo povoamento da região foi intensificado com a migração de aproximadamente 6000 colonizadores açorianos para o sul do país e 50 madeirenses, no período de 1748 e 1756, fundando diversas freguesias, tais como a da Santíssima Trindade, a da Lagoa da Conceição, a de Santo Antônio de Lisboa, a de São João do Rio Vermelho, a de Canasvieiras, e a do Ribeirão da Ilha.

Desterro tornou-se Capital da Província de Santa Catarina em 1823 e inaugurou um período de prosperidade, com investimentos de recursos federais. Com o advento da República, em 1889, as resistências locais ao novo governo provocaram um distanciamento do governo central e a diminuição dos seus investimentos. A vitória das forças comandadas pelo Marechal Floriano Peixoto determinou, em 3 de outubro de 1894, a mudança do nome da cidade para Florianópolis, em homenagem a este Marechal.

A construção civil teve grande destaque na economia. A implantação das redes básicas de energia elétrica, o sistema de fornecimento de água, a captação de esgotos e a construção da Ponte Governador Hercílio Luz foram importantes marcos no desenvolvimento urbano da cidade no século XX, afirmando Florianópolis como capital do Estado.


Florianópolis Hoje

Considerada uma das capitais com melhor qualidade de vida no país, Florianópolis representa hoje uma cidade que atraí muitos turistas por dispor de magníficas praias, rústicas trilhas pelo interior da ilha e pitorescas localidades onde se instalaram as primeiras comunidades de imigrantes açorianos, entre elas Ribeirão da Ilha, Lagoa da Conceição, Santo Antônio de Lisboa. Sem falar no próprio centro histórico da cidade, no excepcional conjunto de fortalezas oitocentistas e nos sítios arqueológicos pré-históricos que remontam há cerca de quatro mil anos.

Florianópolis atua como centro político-administrativo e sua economia é alicerçada nas atividades do comércio, de prestação de serviços, indústria de transformação e turismo. Os destaques econômicos da região provêm da indústria de microinformática, na pesca artesanal de algumas comunidades e no mais novo incremento de renda - a criação de ostras.

Na área de educação e pesquisa a cidade conta com a Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, considerada a terceira melhor do país, a Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC, os campi da Universidade do Vale do Itajaí - UNIVALI, localizados nos municípios de Biguaçu e São José na Grande Florianópolis, o campus da Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL, em Palhoça, a Escola Superior de Turismo e o Centro de Ensino da Polícia Militar (CEPM). Com diversas opções no ensino superior, a cidade constitui-se em um forte pólo de formação e desenvolvimento de pesquisa.

As características típicas do ilhéu devido a sua herança açoriana podem ser percebidas nos conjuntos arquitetônicos tradicionais, nas igrejas oitocentistas, na pesca, na produção de trançados com as rendas, na renda de bilro, na produção de farinha de mandioca e aguardente de cana.

As festas populares que ocorrem na Ilha, entre elas a Folia do Espírito Santo, o Boi-de-Mamão e o Terno de Reis marcam as manifestações folclóricas de influência lusitana e açoriana.