Três Ilhas Literárias


O LITORAL E A GRANDE URBS
A primeira ilha é o litoral folclórico distribuído ao redor da Grande Florianópolis, redescoberto por Othon D’Eça, com seu Homens e algas.
Um enfoque cinematográfico da natureza e da alma dos homens e dos mares que cercam nossa Ilha, vistos pelas lentes de um clássico.
Em 1955, as Edições Sul publicavam Rede, um romance de Salim Miguel cuja ação se desenrola na Vila de Ganchos (hoje, Governador Celso Ramos), “não puramente um documentário da realidade, uma cópia fiel, reportagem ao vivo...mas uma recriação”.
Uns anos mais tarde, tendo agora como pano de fundo, não litoral do homem litorâneo de hoje, mas o de ontem, Almiro Caldeira, em 1961, vê editada a novela Rocamaranha, história estórico-folclórica da vinda dos primeiros açorianos para o Desterro, e um pouco depois, Ao encontro da manhã, cujo “tempo” é a revolução federalista de 1893. Ao lado desta ficção tipicamente regional, um outro grupo de escritores ilhéus vem enfocando o “homem urbano”. O homem na grande cidade, o homem diante de sua angústia existencial;. Entram nesta categoria a ficção de Evaldo Pauli, Miro Morais( A coroa no reino das possibilidades) e Flavio Cardoso, a grande descoberta do I Concurso Nacional de Contos, instituído pelo Governo do Paraná.
No campo da crônica Uma voz na Praça, de Silveira de Sousa; e Jair Francisco Hamms, na 4ª, página do Caderno 2 do Jornal O Estado experimenta novas perspectivas temático-lingüísticas com esse gênero literário.
Paralelamente há um grupo de ensaístas e críticos abordando campos da história, da crítica literária, da sociologia, da geografia de Santa Catarina.
Em 1º lugar, o extraordinário Henrique da Silva Fontes, que durante 50 anos foi a alma das iniciativas culturais em Florianópolis.
A seguir, Oswaldo Rodrigues Cabral autor de quase uma centena de trabalhos com temas de medicina, história, folclore e etnia sempre vinculados à Santa Catarina e Carlos da Costa Pereira, com estudos sobre os primeiros tempos da colonização catarinense.
Na crítica literária, surgem Nereu Corrêa, o “ressuscitador” da Academia Catarinense de Letras e Osvaldo Ferreira de Melo, com sua Introdução à história da Literatura Catarinense, a primeira tentativa de sistematizar o trabalho intelectual, no campo das letras.
No setor do ensaio sociológico, aponta-se o pernambucano Theobaldo Costa Jamundá, entre nós desde 1940, com bons ensaios sobre o Vale do Itajai, Hermann Blumenau e Nereu Ramos.
Santa Catarina – a Terra , o Homem e a Economia, de Paulo Lago, veio mostrar-nos a quantas andamos em termos de Geografia Física e Econômica.


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