Uma Literatura Buscando Surgir



O HOMEM CATARINENSE

Durante os primeiros 200 anos de sua História, Santa Catarina não passou de simples pousada de índios ou mera passagem para estrangeiros que a atravessavam em busca dos portos e das terras do Sul.
Enquanto o Brasil já fornecera um Anchieta ou um Gregório de Matos, só em 1658 é que se funda a primeira povoação entre nós - São Francisco do Sul. Em 1675, Desterro; Laguna, em 1684. Só em 1748 o Rei de Portugal determinara o início da colonização açoriana, colonização que daria o “homo catarinensis”.
Em 1849, 350 anos da descoberta do Brasil, o Estado de Santa Catarina tinha 80 mil habitantes, divididos em diversas ilhas culturais. Em todo o Estado, em 1849 havia somente 1781 alunos, estudando latim, retórica, filosofia e até línguas estrangeiras.
A partir de 1850, na Capital da Província, começou a soprar ares de intelectualidade. Surge uma casa para a venda de livros. Cria-se a Biblioteca Pública (1855). Vários jornais – que entrariam e sairiam de circulação – possibilitaram a tomada de contato com a realidade literária do Brasil, da França e de Portugal, eis que, ao lado das tertúlias pessoas, publicaram-se, em rodapés, os últimos livros de Macedo, Alencar, Castilho e Herculano.
Surge no período romântico, Lacerda Coutinho. Nasceu em Santa Catarina, foi criado e viveu no Rio de Janeiro, mantinha contato com a Província através de colaborações em jornais. Quase toda sua produção é do mais puro lirismo. O mais ingênuo. O mais deslavado. A Mulher, o Amor, a Criança, o Mar, os temas predominantes. De quando em vez, uma angélica consciência de “habitat catarinense”.
A partir de 1860, a nova Realidade Estética, o Realismo, estará presente em Santa Catarina, com dois autores extraordinários que transcendem fronteiras da Província para se projetaram na Literatura Brasileira, Luiz Delfino e Virgilio Várzea.
Luiz Delfino, médico no Rio de Janeiro, senador na Constituinte Republicana, é antes um escritor universal. Das poesias que se consegue entrar em contato – e não são poucas, pois, grande parte de sua obra permanece inédita – tem-se a prova de uma imaginação extraordinária, numa total confusão entre o real e o irreal. Entremeada com uma forte dose de erotismo sensualista, mas com muito pouca conotação abordando sua Terra Natal.
Em 1885, o inquérito de uma revista dava-o como o maior poeta vivo do Brasil.
Virgílio Várzea, vivendo na Metrópole, e publicando suas obras quase todas através de Lisboa, conseguiu deixar excelentes páginas sobre o nosso mar, nossas praias e nossos pescadores, águas e gentes que cercam a Ilha de Santa Catarina.


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