Os Novos Cruz e Souza



Nos primeiros vinte anos do século 20, os “velhos” - que eram os “novos” da época de Gama Rosa, estavam mortos, ausentes ou calados. E os “novos” – que serão os “velhos” quando o Modernismo de 1947 chegar até nós – estavam se preparando para a prometedora investida no campo das letras de Santa Catarina.
O romântico Lacerda Coutinho, que falecera em 1900 e o parnasiano Luis Delfino, morto em 1910, poucas – melhor, nenhuma saudade deixaram entre a Geração da Sociedade Catarinense de Letras.
Virgílio Várzea, o ativista de 1883, estará fora da Ilha, até a morte ocorrida em 1941.
Na Ilha, apenas Santos Lostada e Araújo Figueiredo! Cruz e Sousa, morto em 1898, era uma saudade. Uma saudade e um complexo
Por ocasião do 25º aniversário da morte – 19 de março de 1923 – Altino Flores publica em O Estado, homenagem ao poeta maior do Simbolismo, dizendo que sua obra foi, inúmeras vezes, incompreendida. O crítico, mordazmente diz que Cruz e Sousa não podia ser bom poeta, simplesmente porque não era branco! Em resumo, uma homenagem ao contrário!
No entanto, Araújo figueiredo e Barreiros Filho, homenageiam o grande poema.
É de Barreiros Filho o soneto:

Ante a herma de Cruz e Sousa

Cruz e Sousa, meu poeta malfadado!
Nasceste pária, na casa de um patrão.
O leite materno por ti sugado
Era um soro letal de escravidão.

Cresceste, e no teu peito rebelado
Irrompeu tua raça em convulsão:
Há dores retransidas no teu brado,
Soluções de senzala em aflição...

Teu pai foi carne negra de um senhor,
Tua mãe, negra e escrava, que amargura!
Tu foste a flor dos cardos desse amor:

E és agora uma flor de eterna dura,
- Flor da raça fatal em sua cor
- Flor das glória nos hortos da Tortura.
[O Estado, 12 de abril de 1923]

Ildefonso Juvenal também poeta e negro, dizia não acreditar na sinceridade daqueles que homenageavam Cruz e Sousa. Justiça seja feita: Araújo Figueiredo por diversas vezes, sempre que acontecia, defendia seu irmão – como diz – Cruz e Sousa, dos ataques racistas dos colegas intelectuais. Barreiros Filho, purista da língua, admirava Cruz pelo seu trabalho impecável.


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