Renascimento



CLASSICISMO / RENASCIMENTO
HUMANISMO – RENASCIMENTO


O interesse pelo homem e pelo que ele pode realizar de alto, profundo e glorioso(Humanismo) inspira o conceito de homem integral, senhor do mundo, sequioso para conhecê-lo totalmente e de fruir as delícias e os prazeres da vida. Daí a exaltação do homem-aventura (Os Lusíadas), do homem-cortesão, que canta, sabe da música e da poesia, e do homem-soldado, que luta, não para ganhar o céu, mas para deixar no mundo a sua presença.

CARACTERÍSTICAS DO RENASCIMENTO
a) Equilíbrio e harmonia de forma e fundo. Clareza, mentalidade aberta, intensidade vital, ímpeto progressista, euforia, ânsia de glória e perenidade, apreço pelo humano, sentido do nu artístico, ausência de afetações.
b) Universalismo, apego aos valores transcendentais (o Belo, o Bem, a Verdade, a Perfeição) e aos sistemas racionais; simplificação por lucidez técnica, simetria.
c)Cultivo da antigüidade Greco-Latina. Deuses pagãos usados como figuras literárias e claras alegorias.

O RENASCIMENTO PORTUGUÊS

O Renascimento em Portugal corresponde ao período de apogeu da Nação, cujo império, à semelhança do Império inglês do século XIX, abrangia do Oriente (China, Índia) ao Ocidente(Brasil), e marca, com Camões, a plena maturação da língua portuguesa.
Sob o reinado de D. Manuel, o Venturoso, Portugal gozou de momentânea, mas intensa euforia, graças a grandes cometimentos: descoberta do caminho marítimo para as Índias, empreendida por Vasco da Gama em 1498; descobrimento do Brasil em 1500; Viagem da Circunavegação realizada por Fernão de Magalhães entre 1519 e 1520.
Destes fatos sobrevem uma extraordinária prosperidade econômica: Lisboa transforma-se num importante centro comercial; na Corte impera o luxo desmedido, na certeza de que a Pátria houvesse chegado a uma inalterável riqueza material. Este ufanismo, contudo, vai declinando até a derrocada final de Alcácer-Kibir(ou Quibir), em 1578, com a destruição do exército português e a morte de D. Sebastião. A literatura vai refletir a comoção épica gerada pelo progresso nas primeiras décadas do século XVI, mas reflete também, vez por outra, o desalento e a advertência, lúcidos perante a dúbia e provisória superioridade.
Ainda que, já no fim da Idade Média, os autores da Antigüidade Clássica fossem conhecidos em Portugal, só se pode falar na existência de um estilo renascentista expressivo a partir de 1527, quando o poeta Sá de Miranda regressa da Itália, onde viveu entre 1520 e 1526, em contato com a literatura da Renascença italiana, com o “dolce still nuovo”, e inicia a divulgação, em Portugal, das modalidades poéticas clássicas. Esse conjunto de procedimentos artísticos, que, em território luso, chamou-se medida nova, consistia na utilização do verso decassílabo, em lugar das redondilhas tradicionais, e na predileção pelas formas fixas, inspiradas nos modelos italianos: o soneto, o terceto, a elegia, a ode, o epitalâmio e outros.

LUÍS VAZ DE CAMÕES (1524-1580)

Nascido em Portugal, na época em que este país era um dos mais poderosos do mundo, realizou uma das obras poéticas mais importantes da Literatura, em Língua Portuguesa.

SONETO:
Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente
Repousa lá no céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.
Se lá no assento etéreo onde subsiste (celestial)
Memória desta vida se consente,
Não te esqueça daquele amor ardente.
Que já nos olhos meus tão puro viste.
E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te.
Roga a Deus que teus anos encurtou.
Que tão cedo de cá me leve a ver-te
Quão cedo de meus olhos te levou.

ÉPICO:
Além de poemas líricos, Camões escreveu um grande poema épico: “Os Lusíadas”, tendo como núcleo central a viagem do navegador Vasco da Gama à Índia, fazendo uma síntese da história de Portugal e do povo português, o verdadeiro herói da sua obra.

As armas e os barões assinalados
Que da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados,
Passaram muito além da Taprobana,
E em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia e força humana,
Entre gente remota edificaram,
Novo Reino, que tanto sublimaram.

SONETO

Horas breves de meu contentamento,
nunca me pareceu, quando vos tinha,
que vos visse mudadas tão asinha
em tão compridos anos de tormento.

As altas torres, que fundei no vento,
Levou, enfim, o vento que as sustinha:
Do mal, que me ficou, a culpa é minha,
Pois sobre coisas vãs fiz fundamento.

Amor com brandas mostras aparece,
Tudo possível faz, tudo assegura;
Mas logo no melhor desaparece.

Estranho mal! estranha desventura!
Por um pequeno bem que desfalece,
Um bem aventurar, que sempre dura!

[in Tesouros da Juventude, volume 15]


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