Maura Soares maura43@brturbo.com.br

 
 
MAURA SOARES, natural de Florianópolis, em 7 de janeiro de 1943. Filha de João Auta Soares e Odete Machado Soares, numa família com 10 filhos.
Mãe de João Guilherme Machado Soares, formado em Cinema e Vídeo.
Licenciada em Letras (Português-Inglês) e Pedagogia (Supervisão Escolar).
Atuou no Conselho Estadual de Cultura por 8 anos; presidente da ASESC – Associação dos Supervisores Escolares de Santa Catarina (1989-1990 e 1991-1992) e Supervisora por 2 anos do Colégio Estadual Joaquim Santiago, Salto do Maruí, Palhoça, SC.
Membro Emérito do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, faz parte de sua diretoria. Sócia fundadora do Instituto de Genealogia do Estado de Santa Catarina – INGESC; membro da Academia Desterrense de Literatura –ADELIT, onde ocupa a cadeira n. 7, cuja patrona é a poetisa Maura de Senna Pereira; membro do Grupo de Poetas Livres-GPL desde 1998 (foi sua presidente, de 2000 a 2014).
Obras –“A Biblioteca e Seus Patronos” com a vida e a obra dos patronos da Biblioteca Pública Municipal Prof. Francisco Barreiros Filho, Editora Papa-Livros, Florianópolis,SC; “Retalhos – contos, crônicas e poesias”; obra artesanal com tiragem reduzida(2001). Alguns dos seus Contos, Crônicas e Poesias foram publicados em 19 Antologias da Câmara Brasileira de Jovens Escritores, tendo participado de Edições Especiais.
É Editora e publica seus poemas nas Revistas Ventos do Sul, do Grupo de Poetas Livres, desde seus primeiros números (Edita a revista desde o número 37); e nove Antologias do Grupo (poesias) e suas duas mini-Antologias e uma de Prosa “Cada caso, um causo”; ao todo 12 Antologias do Grupo; na Antologia da Ordem da Confraria dos Poetas, Série III - 1999, Shan Editores, Porto Alegre, RS; diversos números do no Suplemento Literário A Ilha; na Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina (artigos); Revista do Sul (crônicas); Revista Ágora, do Arquivo Público do Estado de Santa Catarina (crônicas); nas Revistas virtuais eisFluências e Logos, da Fénix, de Portugal; nas Revistas do Portal CEN (Cá Estamos Nós), de Portugal.
Possui textos nos jornais extintos A Ponte, Jornal de Santa Catarina e O Estado; Jornal Notícias do Dia (artigos); na Revista da Comissão Catarinense de Folclore (artigos). Poemas nos Zines Missionários da Poesia (Santa Maria, RS), Versos Livres (Guarulhos, SP), Correio da Poesia (João Pessoa, PB), Expressando em Poesia (Santa Maria, RS), Desabafo, Campinas, SP; Fronte Cultural do Jornal SulBrasil, Chapecó, SC). Por 5 anos publicou a Coluna “Cultura” no Jornal Folha de Coqueiros, Florianópolis,SC (2005-2009).
Autora Teatral possui 30 peças entre infantis e adultas, das quais dezesseis infantis foram encenadas pelo Grupo Independente.
No teatro, como atriz, participou da peça “SESC conta a Inconfidência Mineira”, baseada no livro de Cecília Meirelles “Romanceiro da Inconfidência”; pelo Grupo do SESI, participou em “Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna e, pela Sociedade Oratória Estreitense, colagens sobre obra de Martins Pena, com “O Juiz de Paz na Roça”, todos com direção de Odília Carreirão Ortiga.
Por 15 anos redigiu e apresentou a premiação dos melhores do ano no teatro de Florianópolis com o “Troféu Bastidores”, com artigo a respeito publicado na Revista do IHGSC.
Novelas no prelo: “A Catedral”; “A vida secreta de Marilu”; “O violão do Amarildo” e “Maria das Dores”.
Pelo Clube de Autores, em 2017-2018, já publicou entre de contos, crônicas, poesía e biografia: “Sobre o travesseiro”; “Cambada de invejosos”; “O teatro de Maura”; “Vida bandida”; “Em poucas palavras”; “Uma rua chamada Pedreira”; “Um amor para lembrar”; “Velhos guardados”; “Rebeldia & Tenacidade – Maura de Senna Pereira”; “Ester & Os outros”; “Ausências & Retornos” e “Contos de Eros”.
Em 2017, pela Papa-Livros, “7 Dias de Julho”.
Pela Academia Desterrense de Letras (extinta em 2017), publicou na antología “Desterríades”, as biografias de Paulo Gonçalves Weber Vieira da Rosa e Maura de Senna Pereira.
Premiações – Troféu Bastidores, como autora teatral (1982, 1985, 1989); Troféu do Festival de Dança e Teatro em Itapema, SC (1997); Troféu de 1º Lugar no Concurso Nacional Geraldo Luz de Poesia, pela Academia de Letras de Blumenau (2000); Troféu Maricota – Personalidade Feminina, entregue na Feira do Livro de 2004, pela Federação das Academias de Letras do Estado; pelo Dia do Teatro, Troféu da Câmara de Vereadores de Florianópolis (2004); Troféu Juca Ruivo, pelo CTG “Juca Ruivo”, de Maravilha, SC; Troféu “25 Anos da Big Pan”, por seu trabalho no Grupo de Poetas Livres. Em 2018, pela Academia de Letras do Brasil de Santa Catarina, o Troféu Mulher Destaque e, pelo Grupo de Poetas Livres, o Troféu 20 Anos – 1998-2018.
A Oficina Literária Letras no Jardim, de Florianópolis, outorgou-lhe, em 6 de julho de 2018, o Certificado de Ativista Cultural, nas comemorações dos seus 10 anos de fundação.
Medalhas: Medalha do Poeta “Maria Vilma Campos”, pelo GPL; Colar de Membro Emérito, pelo Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina; Medalha Francisco Dias Velho (2002), pela Prefeitura Municipal de Florianópolis; Medalha de Honra ao Mérito, pela Academia de Letras de Palhoça (ALP); Medalha pela Academia de Letras de Governador Celso Ramos – “Miguel P. dos Santos (2013); pela Academia de Letras do Brasil\SC, “Poeta Célio G. da Silva”(2013); pela Academia de Letras de Governador Celso Ramos, “Prof. Lauro Junkes” (2011).
Atua como revisora de textos e faz prefácios e apresentações publicados em várias obras de literatura.



Poemas & Poesias

+ a a a - Projeto Viajando com Poesia

VIAJANDO COM POESIA

Idealizado em 1998 , por Adriana Cruz, membro fundador do Grupo de Poetas Livres, o Projeto Viajando com Poesia adaptou um projeto que existiu por um breve período no âmbito da Prefeitura Municipal de Florianópolis. Os Projetos “Poesia de Passagem” e “Dê carona a Cruz e Sousa”, duraram alguns meses, logo saindo de cartaz. Adriana levou a idéia ao diretor-proprietário de uma Empresa de ônibus que, por sua vez, em reunião do Colegiado da Prefeitura apresentou a idéia que, como não teria ônus para a municipalidade, foi prontamente aceita. Assim, ficou estabelecido que o Grupo procuraria patrocínio para pagamento dos cartazes-adesivos e, como regra, só os membros do Grupo – aqueles com assiduidade e há mais de seis meses no Grupo e pela ordem de admissão – entrariam. Inicialmente, o GPL teve o patrocínio do Café Melitta e da Importadora e Exportadora Souza; depois as Organizações Koerich patrocinaram duas edições e, no ano de 2006, o Jornal Notícias do Dia, órgão de imprensa vinculado ao SBT/SC. O Projeto consiste em cartazes-adesivos tamanho A4 com uma poesia de cerca de oito versos e em tamanho visível para fácil leitura dos usuários dos transportes coletivos da Capital. Quatrocentos e três coletivos estampam em suas janelas interiores um ou mais cartazes com as poesias. Muitas pessoas tomam conhecimento do Grupo através do Projeto e ingressam no seu quadro de sócios.
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+ A NOITE DO LADRÃO E DO POETA


Diz a canção que a noite do ladrão
é a mesma noite do poeta
O ladrão rouba de alguém objetos de valor
e usa a noite para isso

Do poeta, é a noite que lhe rouba o sono.
Ele tenta ter o sono reparador,
mas não consegue se seu desejo de amor
não é correspondido,
ou se a ânsia em rever seu amado
ou amada lhe dê desassossego.

A noite é para o descanso, para repousar das lidas diárias

Para o ladrão
a noite é para ter
o que de dia não consegue
e quer que a noite lhe proporcione
manter o vício que compra de dia

A noite encobre muitas coisas:
o amor proibido,
os sonhos desvairados,
as lágrimas sentidas,
os amores fugidios,
mas, também,
a ternura do amor,
a beleza da canção
na dança a dois,
nos carinhos de alcova.

A noite também encobre as tramas,
os planos de vingança,
os desejos incontidos,
as ameaças
e os crimes.

A noite para o poeta
é para amar e ser amado.

A noite para o ladrão
é de angústia,
horário para concretização
de todo o seu ódio.

Noites diferentes,
de seres diferentes,
mas a noite é a mesma
e silenciosa.

Ela encobre tanto a dor,
a tristeza,
a desgraça,
quanto o amor,
o choro contido,
a alegria de ser correspondido
e a certeza de que virá o dia
e com ele
um novo toque de esperança.
21.3.2017 – 6.25h manhã




+ ÚLTIMA VIAGEM

Na derradeira viagem
Quero estar contigo
Com teu abraço amigo
A esperar a hora da partida.

No último instante
Conforta-me, acalenta-me
Para que eu possa sentir
O sopro leve
Da última brisa da aurora.

+ Entra sem bater


Entra sem bater, querido
meu coração aberto está
pra te dar guarida

Não liga não, a casa está em desordem
Vem pra arrumar as coisas
começando pelo meu coração
Entra, amor, não desiste, não

Vem depressa pros meus braços
pois sozinha não sei mais o que faço
se bebo, se durmo, se descanso...
A onda na praia bate em remanso

Teu ser iluminará o meu canto
e num gesto de amor
vamos juntos ficar
poder amar e abraçar

Entra, vem, entra
e me fala das coisas que fizeste
conta tuas histórias, amor
quero rir contigo noite afora
pois a lua já, sem demora,
espera por nós dois.
Vem!

Aos 17 de fevereiro de 2010 - 20.10h

+ GAVETAS

Nas gavetas as lembranças,
recordações de viagens
objetos de pouco valor,
mas de muita estima,
trancados para serem
vez ou outra observados,
apalpados,
queridos.

Nas gavetas,
a alegria guardada
de momentos inesquecíveis passados a dois
ou em viagens solitárias;
objetos comprados
em lugares que jamais voltou a admirar.

Nas gavetas
as fotos sorridentes
de momentos em que só o amor bastava.

Nas gavetas, a esperança
em manter todos os dias felizes,
sem rusgas,
sem choros.

Nas gavetas
nenhuma mágoa guardada,
nenhuma tristeza;
tudo ali respira felicidade.

Nas gavetas,
momentos que não se devem perder,
momentos de afeto,
de ternura,
de um amor que se não foi ideal,
pelo menos deixou objetos
que não se movem
a não ser que acariciados,
possam trazer de volta,
em poucos instantes,
a felicidade quase esquecida.

8.3.2017 – 4h11min madrugada



+ SETE GOTAS

I
Na gota de orvalho
revi teu semblante
teus olhos marcados
pelo peso dos anos
tua pele curtida
vincada pelo tempo

Na gota de orvalho
refleti minha angústia
imolei minhas dores
descerrei a cortina
da minha vida.
II
Gota que cai
manchando o tapete desgastado da sala de estar.

O gato empoleira-se no parapeito.

A gota agora desvia-se
do caminho e
pinga e respinga a toalha
de renda da mesa de jantar.

O gato assustado dispara
com o olhar em fogo
com a rapidez dos raios.
III
Uma a uma
penosamente
contei as contas do rosário.

Cada hora, cada dia
fui desfiando com as
gotas que caem
de um pranto
silencioso.
IV
A folha treme
à primeira gota de orvalho.

Pesada, ela se inclina
para sentir o beijo
do sol da
manhã radiosa.
V
Na janela entreaberta
sinto os respingos da
chuva

Ela molha o meu rosto
com as gotas
da saudade.
VI
A criança brinca
com as mãozinhas
para o alto
tentando contar as
estrelas que brilham
e refletem-se nas
gotas claras de seus
olhos infantis.
VII
Palavras levadas
ao vento
como as folhas no outono.

Gotas brilhantes
que saem das bocas
sedentas de amor.

+ SOBRE O TRAVESSEIRO

Sobre o travesseiro rabisco estas notas.
É noite, quase madrugada.
Sob a luz do abajur,
registro a solidão
através de breves palavras.
Busco na memória os momentos felizes
da juventude.
Foram tantos...
Tantas, também, as decepções.
O amor ideal é difícil de encontrar,
pelo menos, encontrar alguém
que compartilhe os sonhos,
que divida as tristezas,
que ria nas alegrias,
que dê carinho na hora do amor.

Sobre o travesseiro,
a letra escarranchada em papel rascunho
manchado de tinta.
O sono está chegando e,
na breve interrupção de um cochilo,
rabisco a esperança
de que um novo dia
vai chegar.

Maura Soares
4.2.2003 - 22.50h



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