Porfírio de Almeida Gonçalves

 
 
Porfírio Gonçalves nasceu em Florianópolis, SC, em 27 de maio de 1897 e faleceu em 20 de abril de 1942. Filho de Estevão Antônio Gonçalves e Maria Valente de Almeida Gonçalves. O senhor Estevão era oficial de sapateiro, um esforçado, dentro deste mister, por educar dois filhos: Porfírio e Pedro de Almeida Gonçalves, engenheiro. Porfírio, nos estudos escolares, foi até o curso secundário, não chegando a realizá-lo. Porém, depois de moço feito, vemo-lo com acendrado gosto pelos livros e um estudioso emérito, portas a dentro de seu gabinete. E isto se depreende pelo vulto dos livros de sua biblioteca. Diante dos pobres era Porfírio uma alma trabalhada pela misteriosa voz do Amor – deste Amor que tudo pode, tudo sacrifica e tudo alcança. Repartia-se em benefício de outrem. Foi orador popular e muito apreciado. Tinha o dom da palavra. Publicou suas poesias nas revistas Ilustração Catarinense, Revista do Centro Catarinense de Letras de que era membro. Também escreveu nos jornais da terra. Faleceu, quando desempenhava as atividades de despachante aduaneiro.Casou-se com Edite Prates Gonçalves que lhe deu um filho, Norton Prates Gonçalves. Edite nasceu em Florianópolis em 22 de agosto de 1899 e faleceu em 3 de agosto de 1946.

DESALENTO
(ao Archimedes Taborda)
Vou pela mesma estrada em que há bem anos
Rasguei meus pés em luta desairada,
Colhendo, em vez de flores, desenganos,
Em busca da esperança mal sonhada.

O bem foi a bandeira dos meus planos,
A luz que me guiou por essa estrada,
Onde, sofrendo os mais terríveis danos,
Desejei ser uma alma bem formada.

Pois se nos olhos meus estão gravados
Os martírios que tive em outras eras
Como pedras fulgentes que me são;

Por que hei de desviar os duros fados
De não topar nem mesmo nas esferas
Calma suprema em troca de um perdão?
(Fpolis, 26.7.1926)
(in Anuário Catarinense 1955, em artigo de Manoel Felix Cardoso)

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