Geraldino Atto de Azevedo

 
 
Nasceu em 22 de maio de 1885, em Ribeirão do Meio, Camboriú e faleceu em 30 de janeiro de 1947 em Biguaçu. De 1903 a 1921 residiu em Canasvieiras. Daí dessa data Esteves três anos no Rio Grande do Sul, empregado no comércio. Veio para Biguaçu, empregando-se no estabelecimento comercial do sr. Aníbal Alves da Silva, seu futuro sogro.Retornou ao Rio Grande do Sul por mais dois anos regressando para casar-se com Izaura Silva. Em Biguaçu montou casa de comércio. Manoel Felix Cardoso ressaltando a veia poética de Geraldino, disse: “Como poeta e sonhador, Geraldino sentia um mundo de harmonia trabalhando o seu ser, porisso que, às vezes, furtando-se às escondidas do burburinho comercial, vinha ler-me, aos ouvidos, versos seus, pausadamente, com sentimento, como aconteceu dias antes de seu falecimento, lendo-me o belo soneto que compôs no Hospital de Caridade, intitulado Lágrimas e Dores”. Sebastião B. Vieira assim descreve Geraldino – o poeta de Biguaçu-: “Ele, como os sabiás, cantou apenas pelo que viu em derredor de si mesmo: as praias alvacentas de Canasvieiras... os regatos suaves do nosso litoral amado... as matas do seu Biguaçu, tão adorado e, os maravilhosos esplendores do céu que cobre de eterno azul a bendita gleba catarinense! Geraldino Azevedo demonstrou nos seus versos muito pouca preocupação com o saber vestir de elegante linguagem os seus sonhos. Fé-los, isto sim, com o embevecimento dos que, se extasiam ante as belezas do Céu, ante a bravura do mar... Não teve a preocupação dos que se vestem com a melhor roupa para bem se apresentar, pois os seus versos foram apenas gorgeios de sabiá que canta sob o entusiasmo causado pelo sol das manhãs luminosas!”

Poemas & Poesias

+ O SABIÁ

Terno canior da selva brasileira
Quando padeço ao ver-te prisioneiro
Nessa gaiola tosca de madeira
Sofrendo atroz e amargo cativeiro

Entreramos vireates da balseira,
Feliz, contente, doce e prazenteiro
Modulavas canção terna e fagueira,
Eras livre, era teu o espaço inteiro.

Porém um dia, alguém sem piedade
Nem compaixão, roubou-te a liberdade,
Ou seja tudo aquilo que possuías.

E agora, preso, triste, silencioso,
Já não soltas teu canto mavioso
Não mais enches o bosque de harmonias...

(In: O poeta de Biguaçu, Fpolis, 1948)

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