Júlio de Queiroz - sócio correspondente

 
 
Nasceu em Alegre,ES, aos 18 de fevereiro de 1929. Bacharel em Filosofia. Fez estudos pós-graduatórios em Munique, Kiel, Londres e Berlim Ocidental. Doutorou-se com a tese: Aspectos estéticos da mística católica medieval alemã. Poliglota.Tradutor. Além da Academia Catarinense de Letras-cadeira n. 10, faz parte do Instituto Histrórico e Geográfico de Santa Catarina, do Grupo de Poetas Livres e entidades estaduais, nacionais e internacionais. ?? Oblato secular da Congregação Beneditina no Brasil. Da sua vasta obra, citamos: ???Breve aro???; ???Hamlet, os convidados à trama???; ???As permutas e outros contos???; ???Umas passageiras, outras, crônicas???; ???Cambada de mentirosos??? (antologia); ???Informes a Narciso???; ???Baú de mascate???; ???A cidade amada???; ???Encontros de abismos???; ???Placidim e os monges???; ???Deuses e santos como nós???; ???Álgebra de sonhos???; ???O esplendor aprisionado???; ???Sementes do tempo???, ???Além da cortina da Alzheimer???, ???Perfume de eternidade???, ???Nas dobras do tempo???.

OS QUE N??O DORMEM
Há os que não dormem;

buscam nas pílulas o sono esgarçado;
a noite escorre-lhes pelos olhos cansados
a que os dias não darão tréguas.

São eles indignos de dormir.

Há os que não dormem;
na noite aquietada buscam furos em lençóis negros;
os questionam, pondo-lhes enigmas
que eles próprios terão que elucidar.
O clamor do dia lhes é empecilho fugaz.



Poemas & Poesias

+ CONFISSÃO

Menti muito.
Mas não menti para ganhar:
Menti para sonhar.
Menti as minhas verdades –
E sempre dava presentes
A quem as quisesse ouvir.
Menti que fui pobre; que fui rico;
Que fui alegria e sorrisos...
Escondi tanto a minha tristeza
Que ela acabou me escondendo
Com uma tristeza maior.
Fingi com tanta certeza
Que não consegui ser
Nem poeta nem enganador.
Acabei só por chorar.

Não foram mentiras más, as minhas.

Por isso hei de morrer pobre,
Sem Ter sido santo ou governador.
[in Revista da ACL, nº 14, 1996-97-98]




+ O Virus

Que prisão é esta que cerceia a cadeia em que latejo?

Por que o frio dessa caixa branca que me ronrona algemas
e amordaça o sangue do qual vino e que domino?

Quando chegará a esta casa só de leitos,
fechados em paredes, máquinas e remédios inúteis,
o corpo faminto dos glóbulos onde me prendem?

Quero a extensão de suas veias, de suas células hospedeiras,
de onde eu, celeremente multidão,
sairei para clarinar o julgamento da derradeira parca,,

ferindo lá onde é maior a impotência
e, vencedor, imperar no cadáver ambulante.
[in Revista da ACL, n. 13, 1995]

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