José Curi

 
 
Nasceu em Rio dos Cedros, SC. Estudou com os salesianos de Ascurra, Lavrinhas, Pindamonhangaba e Lorena. É formado em Letras e em Filosofia, com curso de pós-graduação em Lingüística e doutor em Letras. Professor universitário aposentou-se em 1986, mas continuou lecionando italiano à comunidade ítalo-brasileira de Florianópolis. Poliglota, contista, poeta, crítico, possui uma filosofia um tanto cínica e é um inveterado profeta da falência da literatura, embora tenha lançado vários livros literários entre os quais: Juca Jacu & Cia; Cassoga Capital Cassoga; Racont di Rio Cedro. Membro da Academia Catarinense de Letras, ocupando a cadeira número 18.

Poemas & Poesias

+ A um jovem poeta

Meu poeta, meu jovem, meu nume que sonhas,
Que fantasmas povoam tuas linhas bisonhas?
Preferes com a moda alimentar teu estro?
Preferes tu cantar com o cérebro canhestro?
A moda é um verniz, a história tem provado,
Que veste o que é vulgar quer do hoje ou passado
E joga sem piedade para o esquecimento
O que o gosto supunha ser flor de talento
Ser de um gênio criação, supra-sumo criado
Com suor e trabalho, capricho e cuidado
Não te deixes levar por erro subjetivo
Se alimentas co’amor um sublime objetivo.
Abre a mente ao Caráter do povo que inspira
E afinado dedilha qualquer nobre lira
(se tu achares, contudo, que o aviso não vale
dá-lhe as costas sem pejo ou o último vale).
Um bom tolo na vida acha sempre outro tolo
Que o adora e o imita e se imiscua no rolo
Não olvides, porém, que um rol ensimesmado
Sei, jamais foi capaz de compor um letrado.
(...)
[in Revista da ACL nº 14, p. 135]


+ FLORIANÓPOLIS (fragmento)

Num recanto do sul do meu país
Onde a beleza impera qual nutriz
Ciumenta dos encantos da natura;
Onde passeia a língua lusa pura
Nos lábios cor-de-rosa de uma ilhoa
Quando da terra fala ou abençoa;
Onde foi Imperador a Corte ufana
No culto do Divino se engalana
E entre acordes uníssonos da orquestra
E um coro onde nenhuma mão adestra
Pros lares pede paz, amor e benção
Pra que no dia-a-dia a luta vençam;
Onde o fuxico ainda tem entrada à sombra da figueira aposentada
Vizinha a um pinheiro que ergue os braços
Pedindo aos céus perdão por tantos lassos;
Onde o boi-de-mamão, arteiro e astuto
Guiado com maestria por um matuto
Em polvorosa põe a multidão;
(...)
[in Revista da Academia Catarinense de Letras, n. 13/1995]


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