Urda Alice Klueger

 
 
Urda Alice Klueger (Blumenau, fevereiro de 1952) é uma escritora e historiadora brasileira.

Começou seus estudos na sua cidade natal, na Escola São José. Cursou o ginásio e o científico no Colégio Pedro II, também em Blumenau. Mais tarde, iniciou o curso de Economia (UNIPLAC), que não chegou a completar, na cidade de Lages. Finalmente, licenciou-se e especializou-se em História, pela FURB, em Blumenau.

Lecionou como professora de História no ensino fundamental, em escola pública, nos anos de 2001 e 2002, e ensino médio em 2003.

Atualmente, realiza pesquisa sobre os sambaquianos, antigos moradores de Santa Catarina, entre seis mil e dois mil anos atrás. A pesquisa iniciou-se em 1997 e resultou no livro O povo das conchas. Ela já gerou uma trabalho de conclusão de curso, uma monografia de especialização, e está gerando um romance-histórico, e uma dissertação de Mestrado.

É membro da Academia Catarinense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, da União Brasileira de Escritores e da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil.

Participou de várias antologias, foi colaboradora de várias revistas e jornais. Publicou cento e cinqüenta crônicas no jornal A Notícia, de Joinville, aproximadamente cento e trinta no jornal Expresso das Nove, de Açores, Portugal e também foi cronista do jornal Diário Catarinense, de Florianópolis.

Obras
Verde Vale, romance-histórico, 1979 (em 10º Edição)
As Brumas Dançam sobre o Espelho do Rio, romance-histórico, 1981
No Tempo das Tangerinas, romance-histórico, 1983 (em 7º Edição)
Vem, Vamos Remar, relato, 1986 (em 4º Edição)
Te Levanta e Voa, romance, 1989
Cruzeiros do Sul, romance-histórico, 1991
Recordações de Amar em Cuba II, relato, 1995
A Vitória de Vitória, romance infantil, 1998 (em 2º Edição)
Entre Condores e Lhamas, relato, 1999
Crônicas de Natal e Histórias da Minha Avó, memórias, 2001 (em 3º Edição)
No Tempo da Bolacha Maria, Crônica Memorialista, 2002
Amada América, crônicas de viagem, 2003
O povo das Conchas, paradidático sobre sua pesquisa pré-histórica (Sambaquianos), 2004
Histórias D´Além Mar, crônicas de viagem, 2004



http://br.geocities.com/prosapoesiaecia/urdaautores.htm

Poemas & Poesias

+ GVT - Amargo começo de outono

GVT - AMARGO COMEÇO DE OUTONO


E eu que esperava o calorzão de Blumenau tomar outros rumos para poder trabalhar com mais serenidade, quando, no dia 25 de março, comecinho da porta do outono, de repente já não era mais possível mandar mensagens eletrônicas no meu Outlook-express. Tá, tais coisas acontecem, e a primeira coisa que a gente faz é ligar para o provedor. Meu provedor (SAN) é muito atencioso, e ficou fazendo uma bateria de testes até que esgotou as possibilidades:
- Urda, o problema não é conosco. Talvez seja no teu computador, quiçá na nas tuas linhas GVT (pois tenho duas).
O passo seguinte era chamar o técnico, o Dilson, que acabava de ficar papai de uma pequena Fernandinha, naquele dia, mais que foi tão prestimoso quanto sempre. Testou de todos os jeitos, tentou todas as possibilidades, e nada do problema aparecer.
- Teu computador já está meio ultrapassado. Será que não é algo no funcionamento dele?
- Ta, é tempo, mesmo, de atualizá-lo. Providencias para mim?
É bom explicar que eu trabalho como escritora num endereço, e como historiadora em outro – e um dos computadores já havia sido atualizado fazia algum tempo. O bom Dílson providenciou, mesmo com uma menininha novinha em folha em casa – e assim passaram-se os dias 25, 26, 27, 28, 29 e 30 – há que contar que 29 e 30 foram sábado e domingo.
Na segunda-feira, dia 31, computador novo instalado, testes e mais testes feitos, o Dílson me disse:
- Não é coisa nos teus computadores, não. A única explicação é que seja na GVT, a linha telefônica.
Eram umas 11 horas da manhã de segunda, dia 31.03.2008, quando abrimos chamado técnico com a GVT. Neste momento em que escrevo, é sexta-feira, dia 04 de abril, seis da tarde, e tenho aqui o registro de 4 chamados técnicos para a GVT, muita amargura, muito nervosismo, muita promessa vã, muito desrespeito humano, muita desconsideração para uma cliente, qualquer que seja. Estou sabendo que o problema está lá nos computadores da GVT em Curitiba, que se trata de uma tal “porta 25” que não se abre, e no segundo chamado, uma moça que conseguiu ser muito simpática diante do meu grande nervosismo (afinal, tenho uma vida que corre via e-mail, nas minhas duas profissões) garantiu-me que até ontem, dia 03.04.2008, às 18:20 horas, meu problema estaria resolvido.
- O problema está nas nossas linhas. Você não precisa estar em casa para atender possível técnico.
- Então vou cair fora, antes de ficar maluca. Mas, amiga, avise aí que é o prazo final. Vou escrever um texto sobre o que acontece e passar para a Internet (e outros meios de imprensa) caso a situação não se resolva.
Adivinhem o que aconteceu? Hoje, 48 horas depois, chego em casa e tudo continua na mesma, e faz duas semanas que não consigo mandar meus textos para a imprensa, entre tantas outras coisas, além de estar em pleno abalo emocional, ter gasto com um computador novo e toda uma série de outros prejuízos financeiros, morais e emocionais.
A gente sempre tenta dar um jeitinho, não? Pois então comecei a fazer algumas ligações, e descobri que na verdade os técnicos da GVT andam brigando entre eles pois não conseguem resolver o caso das minhas duas linhas. Tenta-se falar com o chefe, não é mesmo? Tentei na minha cidade: impossível, e, inclusive, a moça malcriada que atendeu ao telefone, negou-se até a se identificar. Aí liguei para o número10325, que é onde a gente faz queixas, pedindo para falar com a ouvidoria. Sabem o que ouvi? Que procurasse a ouvidoria do Fórum da minha cidade – e isto depois de cinco dias de espera, e sendo já o anoitecer de uma sexta-feira. Insisti em falar com alguma pessoa encarregada, e tal pessoa ia me atender, quando, inadvertidamente, deixei cair a linha. Fiz nova tentativa de contato, e então só consegui ouvir uma coisa, repetida ao infinito: “É impossível falar com o supervisor. É impossível falar com o supervisor. É impossível falar com o supervisor.”
Fico com uma pena danada desses rapazes e moças que ficam na linha de frente, e transcrevo a seguir o que um dia já escrevi sobre eles:

“(...)quando falo em tadinhos, não quer dizer que esteja a depreciá-los: estou é querendo dizer que são grandes vítimas de um Monstro chamado Capitalismo, que lhes paga um salariozinho de fome, lhes faz decorar algumas frases sempre iguais, lhes obriga a não cometerem nenhum ato de piedade ou de humanidade e lhes faz a aturar todos os estresses que o tal Capitalismo lança sobre os consumidores dos seus produtos. No caso da GVT não é diferente. Com a gentileza que são obrigados a terem para não serem colocados no olho da rua e serem incorporados às multidões de excluídos que o Capitalismo vem formando, sempre maior multidão destinada à morte pela desassistência e pela fome(...)[1]”... “Pois é, taí o que penso daquelas centenas, milhares de jovens que ficam tentando ser gentis com a gente quando a empresa quer que eles nos matem e nos esfolem, o que nos causa as grandes revoltas e nervosismos que acabamos devolvendo a eles, e eu imagino que a maioria deles viva com dor de estômago, de cabeça, ou quem sabe até em depressão, de tanto levar bronca imerecida, broncas direcionadas aos seus nababos patrões desconhecidos, que decerto neste instante estão por aí refestelados em iates fabulosos ou vomitando champanhas cujo preço de uma garrafa é maior do que o dos salários mensais dos pobres atendentes que estragam sua saúde para mantê-los a jogar dinheiro fora em cassinos de luxo – e como tenho esta clareza quanto ao que é feito com os seres humanos que atendem o 0800 (ou equivalente), desde já peço a eles desculpas pelas vezes em que também me irrito e repasso para eles o que não tenho como repassar àqueles donos do Capital e do Poder que, como se fossem Santos do Céu, permanecem inacessíveis à nossa reles ira humana.”[2]

Há que se pensar, no entanto, que entre os nababos patrões e a moçada que atura os nossos nervosismos, há uma classe chamada de “supervisor ou supervisora”, e esse pessoal também deve ganhar uma mixaria e se contorcer um bocado para poder manter seus filhinhos em escolas particulares, para terem a sensação de que pertencem à classe média. Como já dizia Paulo Freire[3], no entanto, “O oprimido hospeda o opressor”, e um dia os tais supervisores já amargaram os nervosismos dos clientes, e agora não estão nem aí: viraram gente de açúcar, quiçá de cristal, que se derrete ou se quebra se pegar um telefone para falar com um cliente cheio de angústia: como foi bom passar de oprimido a opressor! Hoje, que se lixem os coitados dos atendentes – sabe-se lá se, à moda dos patrões invisíveis, recostados em coxins de veludo e vomitando champanha, esses seres de açúcar não estejam refestelados nas suas cadeiras de chefetes, tomando garrafas inteiras de cafezinhos e exercendo seu poder de oprimir com o prazer que teriam com um orgasmo! Fico pensando que sou uma ignorante mesmo, quando cheguei a pensar que algum deles desceria da sua fantasia de diabinho portando um garfo (para espetar os atendentes, claro), na ânsia que têm em se parecer com os nababos donos da empresa, que jamais verão, pois tais representantes do Capital nunca se darão ao trabalho de adentrar a um desses ambientes de trabalho e olhar para as fuças de quem ganha um salário miserável para tornar o patrão cada vez mais milionário.
Ficam para mim, aqui, algumas perguntas: cancelo meus contratos e meus telefones com a GVT? Processo a GVT por todos as perdas e danos que venho tendo desde, pelo menos, a segunda-feira, quando registrei o primeiro chamado técnico? Devo pedir ressarcimento do valor do meu computador novo, que desnecessariamente foi trocado? Dirijo-me à Ouvidoria do Fórum da minha cidade, conforme me foi sugerido por essa malfada GVT, ou basta ir ao PROCON?
Sei lá, tenho o final de semana para aclarar os pensamentos, mas que isto fica assim, ah! não fica mesmo!

Blumenau, 04 de abril de 2008.


Urda Alice Klueger
Escritora


Voltar