Edmar Almeida Bernardes edemarab@terra.com.br

 
 
Bacharel em Letras pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Palmas, no Paraná e graduado também em Jornalismo pela Universidade do Sul de Santa Catarina – Unisul, em Palhoça, Santa Catarina.
Com o conhecimento, a vivência e experiências acumuladas o jornalista e escritor escreveu o livro “Do abismo ao infinito”.

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Poemas & Poesias

+ A Crônica

Quando cheguei da aula deixei disfarçadamente a minha primeira crônica em cima da mesa para que a empregada, que é sempre muito curiosa, a pegasse e fosse lê-la escondida.
Fiz isto porque a minha mulher não leva muita fé no que escrevo.
Dito e feito. A empregada leu e gostou.
Na volta da aula seguinte. Cheguei contente. A empregada logo demonstrou um interesse não revelado.
Notei que ela queria ler alguma coisa.
Desta vez agi diferente. Pus em prática a recomendação do mestre para divulgar os escritos. Retirei da pasta duas crônicas recém-corrigidas pelo professor de redação e ofereci para a empregada ler.
Não foi diferente, ela ficou empolgada. Considerou as crônicas muito boas. Indiscreta, quis saber um monte de coisas.
Para não alongar a conversação com minha ilustre leitora disse-lhe que eu era ainda incipiente na arte de escrever, mas que estava bastante animado. Revelei-lhe que aqueles escritos eram crônicas – um gênero meio jornalístico e meio literário. Ela quis saber mais, então eu expliquei que crônica é como uma criança esperta: fala tudo o que quer; às vezes faz rir, pensar e chorar; é simples, crítica, imprevisível e inusitada. De uma forma ou de outra é sempre agradável. Quem não gosta de uma criança alegre e inteligente? Então!
Da próxima vez não trouxe nenhum escrito. Fui direto aos livros. Estudei, estudei...
A empregada ficou intrigada com a falta do meu entusiasmo habitual.
Disse-lhe que escrever não é tão mole assim. Eu ainda precisava aprender muitas coisas. Inclusive, o professor falara de um tal de estilo próprio, ou seja, os recursos empregados para valorizar o texto, tornando a linguagem mais expressiva, retratando experiências comuns de formas diferentes, conferindo originalidade, emotividade ou poeticidade ao escrito.
A empregada parece que não entendeu nada.
Inadvertido, deixei o rascunho sobre a mesa. Lá estava escrito: estudos indispensáveis para se tornar um escritor autêntico - metáfora, prosopopéia, sinestesia, catacrese, metomínia, perífrase, antítese, paradoxo, eufemismo, hipérbole, assíndeto, zeugma, anáfora, pleonasmo, polissíndeto, anástrofe, hipérbato, sínquise, hipálage, anacoluto...
Sorrateiramente a moça se inteirou dos meus estudos.
Ao que tudo indica ela imaginou que eu estava pirando de vez.
Acabara de perder a minha primeira leitora.

Edmar Almeida Bernardes

+ SIMPLES ASPIRAÇÕES


Que meus olhos vejam
o que meu coração esconde.
Que meu coração sinta
o que meus olhos não enxergam.
Que meus ouvidos escutem
os clamores alheios.
Que minha voz se erga para esclarecer,
confortar e alegrar aos que
cruzarem meu caminho.

+ TERRA

És, por excelência, a fonte da vida.
Tua opulência destina-se a todos.
Agasalhas sobre tua côdea minerais, vegetais e animais.
Das tuas entranhas nasce o pão que sacia a fome.
Do teu seio brota a linfa que vivifica o sedento.
Perspicaz, extrai do Sol a luz que te falta.
Devotada, gira sobre si para abrigar os hóspedes.
Terra formosa!
Tua beleza é extasiante.
Teus dias são impetuosos.
Tuas noites um acalanto.

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