Gilberto Nahas

 
 
Gilberto Pedro Hoffmann Nahas nasceu no dia 19 de julho de 1928, em Palhoça, SC. Faleceu em 6 de julho de 2010.
Ingressou na Marinha aos 16 anos e passou para reserva depois de 25 anos de efetivo serviço militar, com a patente de 2º. Tenente. Na vida militar ganhou as Medalhas de 10 e 20 anos de bons serviços à Pátria, Medalha de Guerra, Medalha de Mérito Tamandaré e Medalha Mérito Cívico da Liga de Defesa Nacional. Sempre atuou na imprensa, como colunista, nos jornais O estado e A Gazeta, de Florianópolis. Edita dois jornais, do Bairro e dos Ex-combatentes. Publicou poesias em jornais e em livro “Vozes Catarinenses”, em parceria com outros poetas. Presidente da Associação dos Ex-Combatentes do Brasil, há 20 anos, recebendo medalhas. Foi árbitro de futebol de várias Federações e da CBF durante 21 anos. Exerceu as funções de Assessor de Imprensa do Governo do Estado durante 17 anos, na Secretaria da Justiça.Atuou no Centro Social Urbano do Saco dos Limões, Presidente dos Cronistas Esportivos de Santa Catarina, Presidente dos Clubes Ájax, Balneário e Internacional. Assessora na parte de imprensa a Câmara Municipal de São José. Seu projeto atual é editar um livro sobre a participação de Santa Catarina na II Guerra Mundial. Membro da Academia São José de Letras.

SOLIDÃO
Se em noite escura,
Tormentosa e nua,
Andares pela rua,
Hás de bem sentir
Em todo o corpo
A ausência da luz
É que o ignoto te seduz,
E te chama a treva
Que mistérios leva

Verás, então,
Na escuridão,
Sombras que se esfumam.
Sombras vaporosas:
São ilusões,
São sonhos,
São névoas mentirosas

Intrépido caminharás,
Cheio de orgulho e confiança;
Mas a imensidão te envolve,
A sombra se adensa e apavora,
Avejões se esboçam treva a fora.
Freio e trêmulo sentirás
Mãos tateantes a te enlaçarem,
Vozes em desespero a soluçarem.
Face à estrada pavorosa e escura,
Sentirás de perto,
Em arrepios de medo,
O vácuo da loucura.

Hás de sentir uma vontade louca
De gritar:
Não terás voz!
Hás de querer ouvir
Algo mais que teus passos:
Surdo estarás!
Hás de querer ver, na escuridão;
Uma estrela, ou alguém mais:
Estarás cego, não terás visão!

Depois, a solidão,
Apenas a solidão
Ouvirás somente
A voz do vento,
Lúgubre e rouca.
Em redor, trevas,
Trevas e nada mais.

Terás medo,
Ficarás aflito,
Olhando o infinito,
Sem ver como um cego
E então, num desencanto,
Dos olhos teus
Cairá amargo o pranto
Balsâmico, consolador.
Nesta hora triste,
Irás pensar
No que não crês:
Pensarás em Deus!
Anuário Catarinense n. 2, 1949[acervo IHGSC]

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