Guido Wilmar Sassi

 
 
Nasceu em Lages, em 1922, e passou a infância e a juventude em Campos Novos. Bancário, foi um dos representantes serranos do Grupo Sul e introduziu na literatura brasileira o “ciclo do pinheiro”, já que a araucária e a exploração da madeira em geral tornaram-se,com o tempo, o tema central de sua obra. No início da década de 60, foi morar em São Paulo, onde escreveu o romance “São Miguel” (Boa Leitura, SP, 1962), que trata do cotidiano dos balseiros à espera da subida das águas do Rio Uruguai, para poderem embarcar nas balsas que levavam madeira para os portos fluviais da Argentina. Com “Geração do deserto”(Ed. Civilização Brasileira,RJ, 1964), Sassi recriou o ambiente de desmandos, perseguições e violências que se traduziu na guerra do Contestado. A obra foi transplantada para o cinema pelo também catarinense Sylvio Back, em 1971, sob o nome de A Guerra dos Pelados. No livro “O calendário da eternidade”(Edufsc, Fpolis, 1983), ele escreveu sobre um teme inédito na literatura brasileira: o trabalho dos mergulhadores das plataformas submarinas da Petrobrás. Guido escreveu ainda outras três obras: Testemunha do tempo(GRD, Rio, 1964) e A bomba atômica de Deus (FCC Edições, Fpolis, 1986), ambos de ficção científica, e o romance Os 7 mistérios da Casa Queimada(Edufsc, Fpolis, 1989). Guido faleceu no Rio de Janeiro, onde morava desde os anos 70, no dia 5 de maio de 2002. Livros de contos: Amigo Velho e Piá e contos policiais. Os poemas a seguir foram enviados a Salim para publicar na Revista Sul. Não foram publicados tendo o autor reconhecido serem fracos. Reproduzimos.

ALQUIMIA
A rua, aquela – o nome não importa
em São Paulo, Rio, Beirute ou França.
É noite, agora, e a rua vive,
intensamente, porque é noite.
- Só.

É noite e a prostituta espera e olha
na calçada a procissão eterna.
Olha, pensa e com saudades lembra
a virgindade que se foi um dia...

É noite, sempre, e a procissão não pára.
A mulher olha e já não pensa.
Espera.
E prossegue, lá, na alquimia sua:
As carícias transformando em pão.
(outubro, 1956)

O MENDIGO (Guido W Sassi)
Cancro social, já nem é homem – dizem.
Respeito sumiu e só restou piedade
- Talvez...quem sabe?

A vontade – nula, e o orgulho é zero.
A boca, esta, já não é revolta
acostumou-se.
Lamurio, prece, “Deus lhe pague” enfim.

A mão, palma para cima, transmutada em súplica
agigantou-se no pechinchar da esmola
e se estendeu pra recolher as sobras.

E foi assim que a vergonha virou níquel...
Mas não matou a fome nem cobriu nudez!
(outubro 1956)
Fonte: Texto de Salim Miguel “Guido Wilmar Sassi, o poeta da ficção”, no Jornal DC 24 de maio 2003.

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