Joaquim Antonio de S.Thiago

 
Nasceu no Desterro(Florianópolis) a 25 de outubro de 1857. Eram seus pais Peregrino Servita de S.Thiago, funcionário da Fazenda, natural do Rio Grande do Sul, e d. Maria Augusta de S.Thiago, natural da cidade de Laguna, SC. Seu pai, empregado público, parcamente remunerado, não pode como chefe de numerosa família proporcionar-lhe recursos para adquirir mais ampla instrução que a primária. Assim, aos quatorze anos de idade, forçado a abandonar os estudos secundários que mal iniciava, veio com seus pais para a cidade, tentando mais tarde continuar seus estudos na Corte, a convite de seu irmão Polydoro que mantinha ali um pequeno curso de preparatórios, fundado por iniciativa própria, a fim de prover as suas despesas de estudante pobre. Vivendo sob o domínio de duas forças inflexíveis: o amor ao estudo e o gosto pela solidão, aceitou de bom grado, o provimento no magistério público, na qualidade de professor de uma escola modesta na freguesia de Sahy(1880-1881). Não era homem que tivesse vaidades: contentava-se com o servir à santa causa da instrução da infância, para a qual sentia irresistíveis pendores, onde quer que se fizesse preciso esse trabalho. Em 1881 contraiu núpcias com D. Clara Almeida de S.Thiago, natural de Paraíba do Sul, no Estado do Rio de Janeiro, e descente de respeitável família fluminense, vinda de São Francisco do Sul em 1868. Desse matrimônio existem sete filhos, quase todos vinculados à cidade natal. Pouco tempo depois do seu consórcio, transferiu o professor Joaquim S. Thiago sua residência para esta localidade, onde exerceu por espaço de 4 anos, o magistério particular(1882-1886). Neste ano, tendo vagado a escola pública do sexo masculino, desta cidade, foi convidado pelo governo provincial, para regê-la, sendo datado de 22 de dezembro do mesmo ano, o ato da sua nomeação pata o referido cargo, de que tomou posse em 7 de janeiro de 1887, exercendo-o com rara abnegação até 14 de fevereiro de 1916, poucos meses antes de seu falecimento, num longo período de 30 anos, que lhe proporcionou ensejo de ministrar o ensino a sucessivas gerações. Da sua passagem pelo magistério ficaram traços indeléveis. Na República a administração estadual conferiu-lhe a gratificação de mérito, como reconhecimento aos inestimáveis serviços que prestou à causa do ensino. Pertenceu ao Partido Republicano, de cujo primeiro diretório fez parte como secretário. Deputado à Constituinte Estadual, teve o mandato renovado na legislatura de 1894-1896, mantendo-se coerente sempre com as suas idéias. Como escritor que foi, deixou páginas de intensa emotividade na literatura dramática, para a qual se voltava a sua predileção. Escreveu os seguintes dramas: Vicentina, A órfã e Enjeitada; apenas fez publicar o primeiro, em restrita edição; conservando-se os outros dois inéditos, embora conhecidos do nosso meio social que deles assistiu algumas representações. Além desses dramas, escreveu também as suas Pequenas Lições de Moral Cristã, publicadas em 1924. Faleceu em São Francisco do Sul a 5 de outubro de 1916, contando 60 anos de idade. Fonte: Revista Signo n. 3 – Academia Catarinense de Letras. Ensaio de Walter Fernando Piazza: “Academia Catarinense de Letras – seus patronos – seus imortais”.

Poemas & Poesias

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