José Leal Filho (Juca Ruivo)

 
 
Embora não tenha nascido em Santa Catarina, merece destaque pelo desenvolvimento que empreendeu no oeste. Nasceu em 22 de fevereiro de 19023, em Quarai, então Alegrete, RS. O poeta costumava dizer que nascera em 29 de fevereiro de 1904, e que o avô paterno José Joaquim Leal, herói da Guerra do Paraguai, teria feito registro com alteração da data - para 22 de fevereiro – com a intenção de fugir ao incômodo do ano bissexto e de prestar homenagem a George Washington. Em 1914 cursa o ginásio e o secundário em Porto Alegre. Integrou ali o grupo literário conhecido como Grupo de Alegrete. Nessa época já tinha o apelido de Juca Ruivo, trazido dos dez anos, em face de chamar-se José e da cor ruana dos cabelos. Logo adotaria, nas tertúlias literárias e aos primeiros versos, a alcunha como nome artístico. Em 1920 convive em Porto Alegre com literatos gaúchos e colabora com a fundação da Estância da Poesia Crioula, sob a liderança por volta de 1936 seu Curso de Engenharia, na Escola de Engenharia Mackenzie, SP. A grande amizade por Monteiro Lobato é desses verdes anos. Em 1923 é deflagrada a Revolução em terra gaúcha. Juca Ruivo apresenta-se voluntariamente, na Serra do Caverá, às forças maragatas do caudilho Honório Lemes da Silva. Lemes inicia o jovem poeta na arte da guerra. Novamente a ocupação de Alegrete. As forças legalistas de Flores da Cunha e Borges de Medeiros atacam a ponte do Ibirapuitã defendida pela facção maragata de Assis Brasil, João Baptista Luzardo e Honório Lemes. Juca Ruivo é ferido no rosto, perde, momentaneamente a visão de um olho e socorre um companheiro, transportando-o na garupa do cavalo. Continuam as batalhas em 1923, 1924, 1925, 1926. Em 1930 seu poema A carreta foi estampado no monumento “La carreta”, no Uruguai. 1930 - 5 de outubro – Começa a Revolução de Trinta.O poeta participa da luta. Em 27 de outubro após as vitórias rebeldes de Sengês e Morugava, Washington Luiz renuncia e os vence dores desembarcam na cidade de São Paulo. Juca Ruivo estava entre eles. Nessa época inicia como engenheiro da Viação Férrea Rio-Grandense, seu trabalho na construção da ferrovia na região das Missões. 1932 - Participa da Revolução Constitucionalista, defendendo Getúlio Vargas. 1937 – Estado Novo e Ditadura de Getúlio Vargas. Juca Ruivo odiá-lo-ia por isso pelo resto da vida. Continua com seu trabalho de engenheiro, casa-se em 1948 e muda-se para Cunha Porá,SC, em 1950. Em 1957 publica “Tradição” e em 1958 é inaugurado em Maravilha, o estádio de futebol, com o nome civil do poeta “Estádio Doutor José Leal Filho”. Em 1968 é fundado em Maravilha o CTG Juca Ruivo. Em 1970 com José Alberto Barbosa, Francisco Gialdi, Antonio Conci, o filho José Ayres, e outros fomenta a criação do museu Padre Fernando Nagle, de Maravilha. 1972 – 8 de maio. Falece em Porto Alegre de enfarte do miocárdio, aos 70 anos, sem poder realizar o velho sonho de morar em Maravilha e ali, findar os seus dias. Fonte: Juca Ruivo Tradição, de José Isaac Pilati, Florianópolis, IOESC, 2002.

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