Juventino Linhares

 
 
Nasceu em Barra de Camboriú, SC, em 1896. Aos oito anos mudou-se para Itajaí onde seu pai se estabeleceu como comerciante. Ali ele freqüentou o antigo Colégio Paroquial. O estudo dos cursos primário e complementar, aliado à verdadeira obsessão pela leitura, fizeram-no possuidor de vasta cultura e exímio beletrista. Fundou em 1918 com Immanuel Currlin, o jornal semanário O Comércio. Em formato tablóide, logo se destacou na imprensa da cidade pelo tom opinativo dos artigos e pela linguagem escorreita em que era escrito. Adquiriu nesta época a Livraria Currlin, transformando-se em livreiro e dono de estabelecimento pioneiro no comércio de livros e revistas.em 1924 comprou do jornalista Joça Miranda o semanário O Pharol, levou toda a competência e experiência acumulada, dando continuidade à tradição de combatividade e independência do jornal. Porém, em 1936, teve que fechá-lo, já que o transformara em órgão de divulgação das idéias integralistas. Fez-se aliancista extremado e convicto, quando da campanha da Aliança Liberal em 1930. Foi ardoroso revolucionário, quando Getúlio Vargas depôs do poder os republicanos. Mas acabou desiludido da Revolução. A desilusão com o liberalismo pós-30, o anti-comunismo ferrenho, porque católico fervoroso, e a crença no pretendo nacionalismo cristão da Ação Integralista Brasileira o transformaram em integralista, de cujo partido foi um dos dirigentes na cidade. Tendo Getúlio fechado a AIB, abandonou de vez a atividade política e se voltou para os negócios particulares. Participou da comissão para a continuação da Igreja Matriz, nos anos 40 e 50. retornou ao jornalismo em 1958, coadjuvando o vigário cônego Vendelino Hobbold na fundação do jornal O Popular, órgão da Paróquia do Santíssimo Sacramento, de que foi um dos redatores. Em março de 1958, em O Popular, deu início a publicação da série de crônicas sobre Itajaí antigo, a que deu o título de O que a Memória Guardou. As crônicas foram publicadas em fevereiro de 1962 a novembro de 1963 no Jornal do Povo. As crônicas são inigualável material de estudos do cotidiano da cidade, desde o começo do século até os anos 60. Juventino Linhares faleceu em Itajaí em 27 de agosto de 1968.[in apresentação de Edson D´Avila na obra O que a memória guardou, Itajaí, Univali, 1997]

Poemas & Poesias

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