Aníbal Nunes Pires

 
 
Nasceu em Florianópolis, em 9 de agosto de 1915 e faleceu dia 24 de abril de 1978. A família Nunes Pires é nome tradicional na cidade de Nossa Senhora do Desterro, tendo fornecido homens públicos, como o Governador da Província Feliciano Nunes Pires, o Deputado Cristóvão Nunes Pires, também Governador, o constituinte republicano Luiz Nunes Pires e vários escritores, entre eles, o professor Anfilóquio Nunes Pires e seus três filhos poetas: Gustavo, Eduardo e Horácio.
Aníbal foi titular das cadeiras de Literatura Brasileira, na UFSC, e de Sociologia, na UDESC. Sua atividade literária manifesta-se através de contos, ensaios e poesias que são publicados em jornais e revistas estaduais.
Participou intensamente, a partir de 1947, do ???Grupo Sul???, movimento que trouxe novos rumos estético-literários ao pensamento artístico catarinense.
Seu interesse maior revela-se pela Ilha de Santa Catarina, cuja terra e cuja gente descreve com singular remanejamento lingüístico. Em 1949 publicou o volume de poesias Terra Fraca. Dedicado à educação, foi um dos autores da reforma da UFSC.

Poemas & Poesias

+ AOS POETAS MORTOS

Não choremos nunca a morte do poeta,
Foi feliz com todas as mulheres belas.
E, eram as chamas dos beijos das donzelas
Que crepitavam em cada vela ereta

Na apoteose de quem alcançava a meta.
Flores nas paredes, flores nas janelas,
Perfume de versos, recendendo delas,
E, livrando uma alma, de sonhos repleta.

Quantas rosas e cravos de tons dispersos!
Eram versos, sim; eram bouquets de versos
Ao redor do caixão quantos malmequeres!

Os pensamentos, na linda morte imersos,
Representavam os miosótis diversos
Como se fossem os beijos das mulheres...

[in Revista Terra, acervo IHGSC]

+ Gloria ao Poeta

Manejas rimas e imaginação
No ébrio jogo de palavras seletas;
Derramas música no coração
E música n’alma do triste injetas.

Incompreendido! Sofre incompreensão!
Nada podes esperar dos patetas
Que bem longe se acham da perfeição.
Tudo dizem, tudo falam dos poetas:

Os destinos sempre lhes são adversos
E nada aprimora os seus caracteres.
Tu Musa! diz aos poetas diversos!

Que existe um prêmio, diz como quiseres.
A glória de transformar tudo em versos,
Morrer do amor, do gozo das mulheres!

[in Revista Terra, acervo IHGSC]

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