Antero dos Reis Dutra

 
Filho de Marcelino Antonio Dutra. Nasceu em 6 de janeiro de 1834 e faleceu em 7 de abril de 1911. Com 15 anos foi para o Rio de Janeiro, onde passou a viver como empregado do comércio e gratuitamente, nas horas vagas, fez os estudos de humanidades. Casa-se com Januária Maria da Conceição, que nos versos do poeta era tratada por Josina. Porém, o casamento não dura muito, pois a esposa faleceria sem lhe deixar descendência. No soneto “No regaço da morte”, Antero parece antever o prematuro desaparecimento da companheira, dizendo:

Poemas & Poesias

+ NO REGAÇO DA MORTE

Sonhei que transformada estava a morte
Em Josina, com seu níveo regaço
Matizado de flores, que o espaço
Impregnavam d’aroma misto e forte.
Sedutora, atraio-me, e com transporte
Cingiu-me ao colo seu em longo abraço,
Dizendo-me: “é proposta que te faço;
Morreres num beijo ou foge! Escolhe a sorte”.

Eu a fronte inclinei, submisso e rindo;
(Nem sempre a morte em sonho apavora).
E um casto beijo deu-me o gosto infindo.

Morri: mas, vi minha alma, que ia embora!
Era Josina bela aos Céus subindo
Num âmbito de luz como a da aurora.

+ Ocaso

No tronco anoso, há muito já despido,
Rebentos podem ver-se em primavera;
Pode o ramo, que larva dilacera,
Vir a ser doutras folhas revestido.

Findos na praia a vaga e o seu bramido,
Outra vaga da praia se apodera;
As lavas se renovam na cratera,
Os astros tornam ao cunho percorrido.

Mas tu, meu coração, cinzeiro morno
De pira extinta em que nada mais arde,
Não podes mais de amores ter adorno.

Em vão palpitas, mesmo com alarde,
Saudoso de um passado sem retorno...
É tarde, coração, bastante tarde!

Voltar