Doralice R. de Souza Silva

 
 
Nasceu em 17 de outubro de 1930, em São José, SC. Participa do Curso de Monitores, no NETI-Núcleo de Estudos da Terceira Idade, na Universidade Federal de Santa Catarina.
Foi contemplada com o segundo lugar no Concurso de Crônicas promovido pelo NETI. Participa de todas as atividades e apresentações artísticas do GPL.
Participa do Teatro Adolfo Melo, onde apresenta trabalhos artísticos. Membro da Academia de Letras e Artes (ACLA).

Aos 75 anos, Doralice lançou seu 1º. livro Casa de Barro(2005). Esta obra está esgotada e não se tem notícia se Doralice fará uma segunda tiragem. Vale a pena apresentar trechos do depoimento de seu filho, professor Vidomar Silva Filho: “Quando minha mãe me mostrou os primeiros textos, há uns cinco anos, senti-me constrangido. Acostumado que estava à leitura de autores consagrados, não consegui apreciar, adequadamente sua poesia singela, que me parecia irremediavelmente simplória. Por puro amor filial, poupei-a de críticas e incentivei-a frouxamente a continuar escrevendo, crente de que seria um interesse passageiro. E por dever de ofício, tornei-me seu revisor e leitor crítico. À medida que ela me mostrava mais e mais poemas, percebi que não se tratava de febre momentânea. Vi que se realizava, penosa e prazerosamente, uma vocação poética longamente adiada pela árdua luta para criar seus seis filhos. E, aos poucos, virei aluno de minha mãe. Explico: Para apreciar seus textos, tive que me despir de preconceitos longamente nutridos – e jamais admitidos – contra a arte ingênua de artistas incultos, como ela. Ela, na sua infinita boa-fé, nem deve ter percebido a mudança, fundamental para mim. Mas hoje, quando leio textos de minha mãe, com seu linguajar simples, fortemente marcado pelo coloquial, com suas imagens concretas, apoiadas nas experiências de infância e na sua relação simples com o mundo, não a vejo mais como aluna. Longe disso. Reverencio-a como uma artista popular com a invejável capacidade de tocar o coração de um vasto público que, como ela, mantém uma relação direta e verdadeira com o mundo.”

Poemas & Poesias

+ AS MÃOS DE OURO

Eu tive um grande amor,
um amor verdadeiro, sincero,
que me amava;
Tocava cavaquinho,
solava as mais lindas canções;

Uma grande surpresa
mudou minha vida:
Ele foi chamado por Deus;

Levou consigo
o grande talento
e as mãos de ouro
que dedilhavam com precisão
as cordas do cavaquinho;

Hoje o cavaco está
no canto da sala
e se calou para sempre.

+ DIA DE CHUVA

Dia de chuva as gotas d
Batem na vidraça e correm
Fazendo pequenos filetes tortuosos.
O vento frio sopra, balança as árvores
Que mal podem ficar de pé.
As folhas caem, a água as leva
Não sei pra onde.
A rua está vazia, não há ninguém,
O dia é triste.
Perto da noite, eu olho
Cada gota d que cai.
Tenho saudades de um passado muito
distante
E as gotas de chuva vão levando meus
Pensamento não sabe pra onde.

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