Márcia Reis Bittencourt marciareisb@yahoo.com.br

 
 
Nasceu em 26 de dezembro de 1971, na localidade de Moura (Canelinha–SC).

Em 2001 conclui o curso de Letras – habilitação Licenciatura em Língua Portuguesa pela Universidade Federal de Santa Catarina.

Colaborou com vários jornais e revistas. Organizou em parceria com Tatiana Campos Elias, de Santo Amaro da Imperatriz (SC), os seguintes livros: AQUI TEM TROVADORES, caderno de produções textuais dos alunos do Instituto Estadual de Educação, da 1ª série do ensino médio – Florianópolis (SC), novembro de 2000; NOSSOS CONTOS POPULARES, caderno de histórias dos alunos do Colégio Estadual Nereu Ramos, da 6ª série – Santo Amaro da Imperatriz (SC), 2000; Organizadora do livro “HISTÓRIA DE UM HOMEM QUE ERA POBRE E FICOU RICO”, poemas resgatados nos cadernos de Maria Souza Simas, trabalho em CD contendo seis livros, organizado por Ademar Campos, de Tijucas (SC), e Nacir Abdala; organizou “BENZIMENTOS”, contos populares, adivinhações e provérbios da nova descoberta de um bairro do município de Tijucas, trabalho dos alunos da Escola de Educação Básica Professora Olívia Bastos, de Tijucas (SC).

Noite cheia de estrelas
Incentivada por suas professoras Otilia Heinig e Ilse Maria Paulino Gomes, Márcia transpõe neste livro Noite cheia de estrelas(2004) de forma coloquial, momentos de sua vida. Esta obra é escrita com seu filho Manoel Mário – obra dupla – com o outro título Meus primeiros poemas. A obra tem capas distintas. Não há apresentação na obra, ela própria se apresenta com Márcia e Manuel Mário contando “causos” em forma de poema. Citamos duas estrofes de
Contato: Rua Manuel Mário Reis, 1512 – cep 88230-000 – Canelinha, SC
***A Festa
Fui convidada para uma festa
A festa da esperança
Em que as crianças brincavam
Sorriam e cantavam.

A festa tinha alguns
Personagens importantes
A vida estava fantasiada
Com roupas de elefante.
(...)
e de Manuel Mário:
***A casa velha
A casa velha tem cinco janelas.
Tem umas portas perto dos coqueiros,
mas é muito misteriosa.
Ali deve ter uma bruxa!
E outros seres encantados...
É uma casa velha e abandonada,
Nenhuma criança chega perto,
Pois é uma casa assombrada...

Poemas & Poesias

+ MINHA RUA

Minha rua é engraçada
Muda de nome como muda de roupa
Primeiro era Rua Geral Areião
Depois mudou para Rua Bela Cruz
Homem da madrugada
Que viveu nesta localidade
Habitava no meio do mato
Sem querer saber da cidade
Morava no meio das árvores
Dos pés de cambucás
Vivia depois da minha casa
E por muito tempo era o único morador que passava por esta rua
Finalmente para surpresa de minha mãe
A rua começou a se chamar
Rua Manuel Mário Reis
Nome do meu pai
Meu pai foi um homem simples
Mas muito batalhador
Realmente uma parte desta rua
Ficava dentro das terras do meu pai.

Minha rua é tranqüila
Nela desfilam gansos
Patos e marrecos
E outros animais mansos.

Na minha rua
Quase não passa ninguém
Passa boi
Passa boiada
Passa porco
E porcada
Passa o seu Bio
Com o cavalo
E os meninos do seu Célio

Antigamente
Passava o seu Luís Francês
Com o carro de boi
Cantando uma música
Que parecia inglês.

Na minha rua
Crianças brincam livremente
Minha rua não tem calçamento
É rua de barro
Cheia de buracos
E quando chove muito
Passa peixe
Passa pato
Transformando-se num lago
Com água cinzenta
Água barrenta
Água que atormenta
Os moradores da rua.
Água que ao se misturar com o barro
Transforma-se num pirão de lama
Para os sapos faz uma cama
Que pula, dança e clama.

Quando se aproxima o natal
Minha rua fica iluminada
É uma iluminação de Deus
Homens não enfeitam minha rua
Muitas luzes aparecem
Luzes que encantam
Pessoas de toda as raças
Pessoas de todos os sexos
Pessoas de todas as religiões
Apaixonam por estas luzes...
São os vaga-lumes
Os seres abençoados
Que iluminam minha rua.

Já ia esquecendo
Dos cantores famosos
Que moram na rua
Fazem canções
Com famosas melodias
Além de cantores
São construtores
Pois fizeram suas casas
Estes cantores
São as cigarras.

Minha rua têm corujas
Tem um povo de uma só alma
Que quer fazer do lugar
Um lugar de amor
De construção
Iluminado
Em favor dos mais pobres
Do povo sem vez
Do povo sem voz

Minha rua é simplesmente encantada e encantadora

Márcia Reis Bittencourt
Canelinha – SC

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