Marinês Potóskei

 
 
Nasceu em Iomerê (SC), em 20 de setembro de 1950. Participa ativamente de todos os projetos do grupo, entre eles, o Viajando com Poesia, Poesia na Praça e a Revista Ventos do Sul.

Poemas & Poesias

+ Eu e você

Algo se aproxima, e chora através de mim
Não sou eu a chorar
É alguém lá do além

Um choro baixinho, sofrido, sentido
É de saudade da vida da terra
É de saudade de alguém
Eu sei que é você

O tempo passou
A esperança acabou
A eternidade o levou
Separados para todo o sempre
Eu e você

Nós passamos pela vida
Tantos encontros casuais
Aquele último dia
Nós não sabíamos
Que o último seria
E nós não nos veríamos nunca mais.

+ FELICIDADE


Buscar na razão do viver
Encontrar o poder
Chorar sem querer
Amar sem viver
Sonhar com o impossível
Tornar tudo possível
Crer, olhar e sentir
A verdade, o encanto do viver.
(...)
Encontrei o brilho da vida
e a felicidade do coração.


+ FLUTUANDO

Se eu pudesse, queria flutuar
Passar por cima das águas do mar
Não tocar o chão, deslizar
Andar pelos campos
Por cima das florestas
Não pisar nos tapetes da natureza
Que embelezam os campos da vida
Sentir o perfume de todas as flores
Admirar todas as cores
Enfeitar todos os campos, espaços e lugares
As pessoas tristes colorir com suas vidas
Aos corações oprimidos
Afrouxar as amarras da amargura
Enchê-las de ternura
Fazê-las ver as cores da vida
Fazer chover pétalas perfumadas
Descer os céus coloridos
Dar sentido às vidas amarguradas
Encher os corações de esperança
Buscar nas lembranças
Voltar a sonhar
Amar e viver
E nunca deixar o sonho morrer.

Florianópolis, 07 de setembro de 2003
Marinês Potóskei

+ PÉS

Lindos, pequenos, delicados
Grandes, desproporcionais
Dedos juntinhos, dedos esparramados
Pés maltratados, sofridos, calejados
Pés, que os vendo dá para saber
O seu viver
O seu sofrer
A sua vida boa e mansa
Do nascer até morrer
Pés finos, compridos
Pés gordos, curtinhos
Pés disformes de tanto andar
Pés rachados no calcanhar
Pés descalços endurecidos
Pelo contato do pó da terra, encardidos
Pés tristes e doloridos
Pés de príncipe e princesa
Pés nobres da realeza
Pés do pobre, do negro
Do escravo da vida
Pés do empregado explorado
Pés dos que têm joanete
Pés dos que os têm bem formados
Pés chatos e arredondados
Pés finos e bem tratados
Pés, tão pequenos, bonitos ou feios
Pés, tão grandes até deformados
Pés que andam pela vida
Pés sem sentidos e mortos
Nas pernas dependuradas
Pés com unhas encravadas
Pés com unhas grossas e deformadas
Pés com unhas finas e delicadas
De pés em pés, seja do tipo que for
Sempre é uma graça tê-los
Bonitos ou feios
Para nos transportar
Por toda essa vida
Dentro de um calçado pobre ou rico
Chinelo de dedo ou tênis rasgado
Mas termos os pés e por eles
Sermos levados.

Florianópolis, 17/julho/2004
Marines Potóskêi

+ Recordar

Joguei-me nos braços da liberdade
Gritei a Deus a saudade
Que invadiu todo meu ser
Queria tudo de volta viver

Disse Deus: guarda a saudade no peito
É dela que hoje vive o teu viver
É dela que renova tua esperança
E te faz crescer

Olhe para o futuro, viva o presente, sê feliz.
As esperanças que se foram
O que a distancia e o vento levou
São recordações vivas e felizes

São saudades
Que nem o tempo apagou.

+ Sombra na noite

No silêncio calado da noite
Uma sombra passa
Apressado, assustado
Um sobretudo negro
Tão negro como a noite
Escura sem luar
O frio sopra, assovia
Forte, leva uivos
Pelas ruas desertas
Os galhos das árvores
Balançam pra lá e pra cá
Levados pelo vento que os acoita
Suas folhas fazem se desprender
Um medo, um calafrio
Impressão que de repente
Uma mão o vai prender
Uma arma encosta
Nas suas costas
Será o fim de sua vida!
Um tremor, sua voz não sai
O bandido, assaltante, aproveita
Do medo de sua vítima
O rouba e vai embora
Também apressado
Pois quem faz algo errado
Sempre está a temer
Ser surpreendido pela polícia
Ou, outro bandido
E ser vítima, como sua vítima
Acabou de ser.

05/agosto/2oo4

+ Sons

Ruídos dentro do silêncio
São passos de alguém
Não é de Ser vivo
E de um Ser do além

Devagar a vagar
Por essa vida na terra
È de saudade de alguém

Divagando pelo espaço
Esse espaço que é de todos
E de ninguém

Somos como sombra
Mudando de lugar
Na terra e no além

Fui um corpo
E nele sofrido
Tive um amor
A esperar por mim
Seguimos caminhos diferentes
Esperando um dia nos encontrar
Mas, a morte me acolheu
E tão cedo aqui vim morar

Hoje divago pelos espaços
E por todo lugar
Hoje eu penso
Mas de nada vai adiantar
Pois, sou um espírito
Não tenho mais corpo para habitar.

Fpolis, 01 abril 2004.

+ Violino mágico

Os vales solitários
A linguagem do céu
No murmúrio das águas
No cantar do vento
Nos mistérios das matas fechadas
No barulho das cachoeiras
No verde dos campos
No branco dos lírios
No perfume das flores
Na brisa suave
No canto dos anjos
No acalento do colo de uma mãe
No sorriso carinhoso de um pai
No olhar singelo de uma criança
Na esperança de realizar um sonho
Na prece que nos engrandece
Na fé que nos fortalece
Nas lembranças, belas recordações
Na saudade que embala nossa alma
É do que eu vivo
E sou muito feliz.

22/setembro/2oo5

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