Arnaldo Claro de São Thiago

 
 
Nasceu em São Francisco do Sul, a 1º de julho de 1886. Freqüentou a escola primária de seus pais, ambos professores. Com a idade de oito anos iniciou sua ininterrupta adestração na arte poética.
Exerceu o magistério e o funcionalismo público da Fazenda, vivendo sempre em São Francisco do Sul, onde se aposentou em 1934, como Fiscal do Imposto de Consumo. Durante toda essa fase militou ininterruptamente na imprensa local e de outras cidades, tendo inclusive fundado dois jornais: A Folha do Comércio e O Município.
Participou de várias instituições literárias do Brasil e do exterior. Publicou, entre outras: Prelúdios, Fagulhas, Ruínas, Escrínio d’Alma, Pórtico, Últimos Cantos, Lírica Espírita, História da Literatura catarinense, Dante Alighieri – O último Iniciado.
Faleceu em abril de 1979.

Poemas & Poesias

+ Conto

As modestas violetas
Inquietas
Esperavam no jardim
O seu lindo namorado,
Decantado,
Aromático jasmim.


Tardava, porém, o instante
Em que o amante
Devia chegar ali...
Nos ares passa ligeiro
Mui faceiro
Rutilante colibri.


Vendo-as assim tão mimosas,
Tão formosas,
Doce perfume exalando,
Não pode passar além
Desce e vem
As violetas beijando...


Logo depois chega o amante,
Delirante,
Todo de branco vestido,
Coitadinho! viu magoado,
Despeitado
-Triste o serralho querido!


As violetas murcharam
E tombaram
Pobrezinhas! para o chão.
Foi o louco beija-flor,
Sem temor,
Ferir-lhes o coração!


Para o vale, incontinenti,
Tristemente,
O branco jasmim voltou.
Logo depois, desprezado,
Isolado,
Caiu por terra, expirou...

ARNALDO S.THIAGO


+ Conto

As modestas violetas
Inquietas
Esperavam no jardim
O seu lindo namorado,
Decantado,
Aromático jasmim.

Tardava, porém, o instante
Em que o amante
Devia chegar ali...
Nos ares passa ligeiro
Mui faceiro
Rutilante colibri.

Vendo-as assim tão mimosas,
Tão formosas,
Doce perfume exalando,
Não pode passar além
Desce e vem
As violetas beijando...

Logo depois chega o amante,
Delirante,
Todo de branco vestido,
Coitadinho! viu magoado,
Despeitado
-Triste o serralho querido!

As violetas murcharam
E tombaram
Pobrezinhas! para o chão.
Foi o louco beija-flor,
Sem temor,
Ferir-lhes o coração!

Para o vale, incontinenti,
Tristemente,
O branco jasmim voltou.
Logo depois, desprezado,
Isolado,
Caiu por terra, expirou...

São Francisco do Sul, junho 1907.
[In Almanaque de Santa Catarina para o ano de 1910, Ano I, diretor Dr. J. Thiago da Fonseca]

+ SUBLIMAÇÃO

(Lendo o Canto XI do Paraíso, da Divina Comédia)

Ampliou-se-me tanto, àquele instante,
A mente minha em sombras sempre envolta,
Que eu pude observar à minha volta
O Universo, de glória irradiante.

Além disso, um amor comunicante
Do mais alto sentir, pôs-me a alma solta
Dos laços que a constringem quando a escolta
Das paixões a escraviza, assoberbante.

Eu vi nos meus irmãos, qual Cristo o disse,
Meu pai e minha mãe... Doce ledice
Transportou-me ao Infinito iluminado!

Como é belo sentir do Pai a essência
Que no amor se alimenta e na excelência
Desse amor, ser-se puro e libertado

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