Carlos Corrêa

 
 
Carlos José da Mota de Azevedo Corrêa nasceu no Rio de Janeiro, a 13 de janeiro de 1886. Formou-se pela Faculdade Nacional de Medicina em Farmácia, em 1906 e em Medicina, em 1911. Durante o período acadêmico foi revisor de jornais. Já formado, e como médico do Ministério da Agricultura veio a Santa Catarina.
Na Ilha foi membro do Conselho Penitenciário do Estado, do qual veio a ser presidente. Em 1935 foi o mais votado para a Câmara Municipal de Florianópolis, da qual foi presidente. No governo Adolfo Konder foi Diretor de Higiene do Estado e Diretor da Maternidade de Florianópolis, entidade que ele ajudara a fundar e que posteriormente passou a denominar-se “Maternidade Carlos Corrêa”.
A sua poesia inclina-se mais ao romantismo, embora a forma seja parnasiana. A maior parte de suas composições é constituída de sonetos. Sua temática abrange, sobretudo o amor, mas tende constantemente a um tom elegíaco, de tristeza e desilusão.
Como parnasiano, no entanto, esse sentimento elegíaco é bastante contido. Destacam-se, ainda, na sua poesia: a criação de quadros descritivos da natureza, poemas narrativos, passagens de religiosidade e admoestações à virtude e ao amor.

Poemas & Poesias

+ A Árvore

Pelo vento, talvez, sacudida, levada
Da árvore de que nasceu, numa manhã faiscante
De luz e de esplendor, uma semente alada
Foi cair para além, numa terra distante...

E ali, à luz do sol, o humus fecundante
Da terra virgem e sã, nova e fertilizada,
Fizeram-na espontar, de começo, expectante
Para crescer depois, em arbusto transformada!

E evoluiu e cresceu!...Deitou galhos, e um dia,
Copa virente no ar, farfalhando na orgia
Da luz, a árvore ao céu sua fronde estendeu!...

E vaidosa e feliz, rica de seiva e dores
Hoje ela sombra dá, e dá frutos, dá flores
E tem ninhos, tal qual a árvore de que nasceu.

Carlos Corrêa – médico – poeta catarinense – falecido. Dá nome à Maternidade, sita à av. Hercílio Luz.

+ A Caminho

Vou em busca de ti! É tarde... O sol declina
Rubro, primaveril, cheio de luz, candente,
Refulgindo através da célica cortina
Dos cirrus que se grupam em volta do Poente.

Sinto, dentro de mim, numa doce surdina,
Como suave canção da minh´alma dolente,
Num brando transbordar de ânsias de amor, Divina,
Pulsar o coração desordenadamente!

E prossigo feliz, pressuroso, levando
Na alma um doce prazer que, alegre, comunico
A todos de quem vou, feliz, me aproximando...

Não te encontro, porém...A treva em torno cresce...
E na noite sem fim do meu viver, eu fico
Triste por te não ver! Triste, porque anoitece...

Carlos Corrêa – médico – poeta catarinense – falecido. Dá nome à Maternidade, sita à av. Hercílio Luz.

+ A figueira

Essa figueira, a cuja sombra amiga
Vens te abrigar em tardes de verão,
Tem uma história delicada e antiga
Que fala 1à alma e toca o coração.

Contam que um noivo, que hoje a dor fustiga
E torna presa de desolação,
Plantou-a em honra à linda rapariga
A que o ligara férvida afeição!

Mas a noiva morreu-lhe, e o desgraçado,
Junto à Figueira, vinha diariamente
Chorar a morta e o seu amor fanado.

E o pranto seu, fertilizando o chão,
Transformou-a nessa árvore frondente
Que hoje te abriga em tardes de verão!

+ TEU AMOR

Teu amor, faz lembrar a folha mal-nascida,
Que da árvore arrancou um golpe de tufão,
E que ao léu, sem destino, ao vento sacudida,
Sabe, volteia no ar, para rolar no chão.

Teu amor foi assim... Promessa mal-contida,
Feita no impulso bom de uma grande paixão,
E que após ser jurada, a boca arrependida
Não sabe repetir e faz-se negação.

Foi assim teu amor...E pela vida afora,
Irás amando assim, e irás jurando, embora
A essas juras não dês o seu justo valor.

E como um sonho bom que passa e se evapora,
Como a folha o vento arranca e joga fora,
Foi assim teu amor... Foi assim teu amor...

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