Carlos de Faria

 
 
É natural de Enseada do Brito, onde nasceu a 12 de março de 1865, neto do ilustre Pe. Vicente Ferreira dos Santos Cordeiro, figura de destaque nos tempos dos Farrapos. Foi Vice-Presidente da República Juliana de Laguna, em 1839 e grande apreciador de Castro Alves.
Espírito boêmio e anticonvencional, foi um grande idealista na luta pela imprensa. Exerceu atividades relacionadas a área de farmácia em Laguna e na capital, sendo, também, enfermeiro. Foi guarda-livros em Jaguaruna, onde abriu uma farmácia.
Nunca publicou um livro em vida, mas deixou produção poética esparsa em jornais de Laguna e do Desterro.
Sua poesia é sensivelmente lírica, sobretudo amorosa, mas conferindo também à natureza posição de destaque. Situa-se entre o Romantismo e o Parnasianismo. É patrono da cadeira nº 3 da Academia Catarinense de Letras.

Poemas & Poesias

+ ENCONTRO

O sol doirava as fímbrias do Poente.
Morria a tarde. Ao longe, nas florestas,
Bem como templos colossais, em festas,
A passarada arrebatava a gente.

Frios os ares, e a minh’alma ardente
Do sol fitando as rútilas arestas
Pensava em ti, apaixonadamente,
Já que é da raça boa das modestas.

Já que és daquelas castas raparigas
Que andam através dos campos, às cantigas,
Virgens, à tarde, quando morre o dia...

Nisto apareces, flor, entre os palmares,
Como um astro de amor, e nos teus olhares,
Pensei que a tarde nunca mais morria!

[República, Florianópolis, 6.10.1926]

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