Castorina Lobo de São Thiago

 
 
Nasceu em Tubarão, a 28 de dezembro de 1884. Professora diplomada pela Escola Normal dedicou 40 anos de sua existência ao magistério público, tendo iniciado seu tirocínio profissional aos 15 anos de idade, quando assumiu, recém-formada, a regência da Escola Modelo anexa à Escola Normal. Desde sua juventude militou na imprensa do seu Estado natal e do País, escrevendo em prosa e verso. Sua atividade poética mais intensa desencadeia-se após falecimento do marido Vicente Lobo São Thiago e de suas transferências de domicílio – Rio de Janeiro, Blumenau, Florianópolis - a partir de 1942.

Sua poesia pode ser considerada ainda ligada ao Parnasianismo, no seu culto à forma fechada do soneto, geralmente decassílabo e perfeitamente rimado, abordando a temática descritiva de quadros da natureza ou da alegoria humana. Seu primeiro livro “Rimas do Outono”, muito bem recebido pela crítica, foi adquirido pelo Governo para ser distribuído pelas escolas públicas do Estado.

Publicou poemas esparsos em periódicos e ainda os livros de poesia: Clarinadas(1959), Aquarela da Ilha de Santa Catarina. Era sócia do Pen Clube de Florianópolis.

Em 1958 foi eleita para a cadeira número 10 da Academia Catarinense de Letras, sucedendo à poetisa Delminda Silveira.

Faleceu em Blumenau em 24 de agosto de 1974.

Poemas & Poesias

+ A vida

A vida é bem difícil, na verdade!
É, por vezes, um fardo tão pesado,
Que se desperta, em nós, tenaz vontade
De morrer pra ficar tudo acabado.

Que ilusão nesse modo de pensar!...
A vida é sempre, a vida eternamente,
Na Terra ou nos espaços, a vibrar
Ao ritmo do trabalho permanente!

O corpo se esfacela e se transforma,
Restituindo à terra o que é da terra,
Deixando livre a essência, em nova forma.

E a Vida continua mais intensa,
No plano que ilusões já não encerra
A lutar pela Paz, em recompensa.

+ Meu Coração

Uma por uma as folhas vão caindo,
A desnudar essa árvore, que deu flores,
Deu sombra e sob os ramos protetores,
Abrigou frutos de sabor infindo!

Vai se acabando o Outono. O Inverno chega.
É patente o prenúncio das nevadas...
Feias parcas se abatem, em revoadas,
Sobre a rama, onde o mocho se aconchega.

E o velho tronco anoso e solitário,
Já não tem a beleza, que foi sua
Cedendo ao templo, indômito, arbitrário.

Mas não é realmente o que parece...
A vida está no cerne e nele estua....
Assim, meu coração...Nunca envelhece...

[In Revista ACL 14, 1996/1997/1998]

+ Viver ou Vegetar

A vida é doce bem ou cálix de amargura,
Florido roseiral ou senda de silvais,
É misto de prazer, de dor e de tortura,
Ciclo de provas bem duras e cruciais!

Viver da carne! Que ilusão da mente humana!
Para gozar o bem sublime de viver
É preciso quebrar a ganga vil, mundana,
Que, das belezas d´alma, impede o resplender.

O Grandioso Foco Eterno e Divinal
Acende, em cada ser, a lâmpada imortal,
Para a finalidade excelsa de brilhar!

As cinzas da maldade intensa e da ignorância
Abafam, geralmente, o brilho, a rutilância,
Que distinguem o viver, do simples vegetar!

[In Clarinadas,1959, pág.37]

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