Francisco Barreiros Filho

 
 
Nasceu em Tubarão, em 28 de setembro de 1891. Bacharel em Ciências e Letras no Colégio Catarinense, em 1911. Inicia carreira jornalística em 1912, no jornal Argos. Colabora com o jornal A Semana, a Revista Terra e a Revista do Centro Catarinense de Letras. Foi membro fundador da Sociedade Catarinense de Letras, hoje Academia Catarinense de Letras.
Na política, foi Secretário particular de Assis Brasil, Secretário da Casa Civil dos governos de Aderbal Ramos da Silva e de José Boabaid Deputado Constituinte, pelo Partido Liberal Catarinense, tendo sido 1º Secretário da Mesa Diretora da 1ª Legislatura (1935-1936).
Pela Lei Municipal nº 390, de oito de junho de 1959, assinada pelo Prefeito Dib Cherem, a Biblioteca Municipal recebe o nome de “Biblioteca Pública Municipal Prof. Barreiros Filho”.
Purista da língua portuguesa, seus sonetos e crônicas são primorosos. Membro da Academia Catarinense de Letras ocupou a cadeira 24. Faleceu em 4 de outubro de 1977.

Poemas & Poesias

+ AS PANDORGAS

É tempo de pandorgas, é agora,
Que eu quero premunir-me de um cordel,
Para soltá-las pelo céu em fora
Como balões cativos de papel...

Ó menineiras diversões de outrora,
Em que tive pandorgas a granel,
Minha alma enternecida vos namora
Numa saudade que lhe sabe a mel!

A pandorga lá no alto, presa à linha,
Representa o bom sonho do passado,
Que um fio evocador, tenso mantinha:

É soltar-se-lhe o fio, e num momento
Vai arriba o meu sonho alcandorado,
- Fulva pandorga a doidejar no vento.

[O Estado, 2 de maio de 1923]

+ ÁGUA VÁRIA

Essa água azul do mar, Praia de Fora,
O sol poliu-a com o esmeril da luz:
Que loiro ambiente! Um ar de quem namora...
Gaivotas dançam de asa aberta em cruz.

Mas desce a tarde. O dia se reduz.
Lá vem a noite. E um temporal se arvora.
A escuridão enfia o seu capuz
Já tempesteia... A torva praia agora

Revida ao vento de rajada e açoite,
Rebate às cegas, resfolegando escumas,
Vivo contraste de si mesma à noite.

O humano coração assim varia:
Primeiro um sol, um sonho... depois brumas,
E treva, e raiva, e fel, e rebeldia!
(O Estado, 5 de abril de 1923)

[in A biblioteca e seus patronos, p. 50]

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