José Brasilício de Sousa

 
 
Nasceu em Goyana, Pernambuco, a nove de janeiro de 1854. Veio para Santa Catarina com pouca idade. Lecionou piano e violino, foi professor de cosmografia no Liceu de Artes e Ofícios, ensinou Geografia e História na Escola Normal e regeu as cadeiras destas disciplinas no Ginásio Catarinense (atual Colégio Catarinense). Escreveu Lições de Cosmografia e o Hino do Estado de Santa Catarina para Piano e Canto. Legou à posteridade páginas com poemas, textos jornalísticos e composições musicais. Foi casado com Semíramis (Maria Carolina C. de Sousa).

Poemas & Poesias

+ TU E EU

Fatalidade, amigo! Oh! Quanto sinto
Que a esposa que teus dias encantava
Cedo baixasse ao gélido sepulcro,
Deixando-te na dor inconsolável,
Sem luz, sem norte, a vaguear incerto,
Qual frágil barco que à mercê das ondas,
Desesperado de encontrar um porto,
Sente afundar-se no medonho pego.

Eu, como tu, também tenho sofrido!
Meu coração tem sido lacerado
Por fundos golpes que em momentos breves
Atrozmente gravaram em meu semblante
Vestígios que apagar jamais consegue
O riso frio que me roça as faces.
(...)
É triste a nossa sorte, oh! é bem triste!
Feridos ambos fomos cruelmente;
Não logrando afastar dos nossos lábios,
O cálix da amargura ambos tragamos.
Tiremos da amizade que nos liga,
Das mútuas narrações de nossos males
O bálsamo que as chagas cicatrize
De nossos corações que gemem tanto!
E na luta sem tréguas pela vida,
Escondendo no fundo o que sentimos,
Fortes sejamos, - té que enfim um dia,
A voragem fatal nos atraindo,
Um termo ponha a tantos sofrimentos.

[in A biblioteca e seus patronos, de Sueli Sepetiba, Maura Soares e Maria Lúcia Freitas Fontes]

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