José Elesiário da Silva Quintanhilha

 
Nasceu em Desterro em 1845 e faleceu na mesma localidade em 1877. É considerado um dos nossos maiores poetas românticos. Seu primeiro livro “Lírios e Rosas”, escrito aos dezoito anos, traz poemas bem significativos com influência de Gonçalves Dias, Casimiro de Abreu, Álvares de Azevedo e Junqueira Freire.

Poemas & Poesias

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Às vezes – quantas vezes! tu à sombra
Do copado jambeiro a sós comigo,
Sobre as flores elegante alfombra
Do rigor do verão celeste abrigo;
Unindo a minha voz ao doce canto
Do sabiá saudoso: - às vezes, digo,
Entre falas de amor, entre carinhos,
Adormeces sonhando com anjinhos...
(...)
(...)
De que vale a vida – se lhe faltam risos
E sonhos juvenis, futuros visos,
A acalentar?
Não pode sobre inóspitos rochedos
Viver lúgubre flor, sem ter segredos
À brisa que contar!
Mas quando o peito vota paixão pura
Àquele que lhe fez solene jura
De sempre o amar;
E que depois em vez de gozos tantos
Quanto sonhara, é desprezado e encantos
Não pode achar...
(...)

(...)
Sentindo um puro amor dentro do peito
Sentindo da ventura um doce efeito
Tendo o prazer,
Num fundo de ilusões, d’almos desejos
Em sonhos juvenis, ardentes beijos
É bom viver!
Mas quando à mente vêm sonhos corruptos,
Horrorosos fantasmas, prantos, lutos,
Inimigos do prazer!
Mas quando a mente sonha em vez de risos,
Fúnebres chorões, campas, ocisos,
Custa a viver!

(...)
Se a visses na rede co’as tranças caídas,
Co’as faces pedindo mil beijos d’amor,
Oh! como tu louco nas faces lh’os deras,
E então conheceras na fronte calor,

Mas tu não a viste! Lh’ornava de rosas,
De rosas formosas coroa gentil!
Que beijos lhe deras! Que sonhos sonharas!
Que gozos gozaras n’um beijo febril!

Dos anjos celestes o sono dormia,
Que amor revestia d’um casto sorrir!
E os braços caídos... que braços delgados!
Quem dera enlaçados nos meus pressentir!

Na rede ela estava! Na rede de penas...
D’amor tenho penas no peito sem fim!
Pois não adivinho se a linda indiana
Na sua cabana se lembra de mim!

Mas tu – ai! se a visses! na rede formosa
Co’as faces qual rosa no casto entr’abrir,
Tu louco d’amores a vida lhe deras,
E então tu puderas ventura fruir!

Na rede era um anjo! C’os seios arfantes,
As faces brilhantes da diva color,
E os olhos cerrados, e os lábios pedindo...
Pedindo...pedindo... doçuras d’amor!

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