Júlia da Costa

 
 
Júlia Maria da Costa nasceu em 1º. de julho de 1844, em Paranaguá, então pertencente à Comarca de Curitiba, Província de São Paulo. Filha de Alexandre José da Costa e D. Maria Machado da Costa, ele do Paraná e ela de São Francisco do Sul, em Santa Catarina. Diz Colombo de Sousa que Júlia viveu em sua terra até os 26 anos de idade, transferindo-se para São Francisco do Sul, onde se casou, por imposição da família, com o Comendador Francisco da Costa Pereira. Nascimento Júnior disse que Júlia casou-se em Paranaguá e não em São Francisco do Sul e “resignada ao sacrifício”, partiu a “vítima”, para a cidade catarinense. Destarte, teria ela deixado Paranaguá em 1870. Entretanto, conforme documento já citado, esse casamento se realizou a 28 de outubro de 1871, “nessa freguesia de Nossa Senhora da Graça, da cidade do Rio de São Francisco do Sul”, da qual ambos os contraentes eram paroquianos. Achava-se Júlia da Costa em São Francisco desde muito antes de 1870, pois, em 1866 teria enviado dali para a antiga Desterro, capital da Província de Santa Catarina, os origjnais de “Flores Dispersas”, cuja primeira série, saindo dos prelos da Tipografia de J.J.Lopes, na rua Tiradentes n. 2, era dada à publicidade em 2 de abril de 1867, conforme nessa data noticiava o ”Despertador”, bi-semanário impresso na mesma Tipografia. Já aí recuamos quatro anos da data assinalada pelos paranaenses como sendo aquela em que sua conterrânea deixara Paranaguá. Essa data é ainda muito anterior a 1866, devendo Júlia da Costa ter-se transferido para a vizinha cidade de São Francisco alguns anos depois da morte de seu pai, Alexandre José da Costa, ocorrida a 29 de dezembro de 1849. “Flores dispersas” foi publicada em três séries(1874/1875). Em 1º. De dezembro de 1867, publicou no Mercantil, a poesia “2 de dezembro” em homenagem a D. Pedro II, na data do aniversário natalício do Imperador. Publicou também Bouquet de Violetas. Usava o pseudônimo de Americana e publicou um folhetim “As priminhas”. No período de 1880 a 1883 publicou versos e crônicas na Gazeta de Joinville.Em 1883, as sua produções foram rarando. Ainda em 1884, Júlia da Costa, sob o pseudônimo de Americana publicava na União, de 30 de julho e 6 de agosto do referido ano, duas poesias – O violeiro e Flor de neve, datadas de junho de 1884, sendo de notar, entretanto, que a primeira foi incluída na reedição de Flores Dispersas, com a data de 1882. A 10 de setembro de 1889, escrevia ao seu primo, Joaquim Guilherme da Silva:”(...) Dizes que nos papéis de nosso tio Ricardo José da Costa tens achado versos meus. Não te recrimino por apanhares as pétalas dessas flores mortas; mas não alimentes a esperança de possuir mais versos novos. Minha lira emudeceu para sempre. Eu mesmo amortalhei-a e fechei-a dentro de um túmulo, cuja chave guardo comigo”.(in Anuário Catarinense, 1955, em artigo de Carlos da Costa Pereira. Acervo IHGSC).


Poemas & Poesias

+ A noite

E do cimo azulado da colina,
Surge triste fada peregrina
Tocada de esplendores
(...)

+ SONS PERDIDOS

Serenatas da brisa – vozes soltas
De folhagem bolida pelo vento.
(...)

+ UM RAIO DE LUZ

Dá-me um raio de luz! A fronte exausta
Eu já sinto pender ao frio gelo
De uma noite de horror e de saudade!
(...)
Quanta vida, meu Deus! quantos murmúrios
E minh’alma nas trevas envolvida
Como o verme no pó dos cemitérios!

Voltar