Juvêncio Martins Costa

 
 
Juvêncio Costa nasceu em Desterro, em 1850. Dedicou-se a poesia durante quase toda a sua curta vida. Era o cantor intimista de Desterro. Elegíaco, homem triste e problemático.
Cantou o vento-sul da Ilha, identificou-se com o meio, mas não deu a esse meio um impulso de uma arte vitalizada. Perde-se entre os seus soluços e os seus pesadelos. Um dia reuniu cerca de cem produções em volume a que intitulou “Flores sem Perfume”.
Escreveu sobre amor, dor, patriotismo e erotismo. Juvêncio viveu o apogeu do romantismo no Brasil. Seus versos são rigorosamente dentro desta escola do seu tempo. Faleceu em 1882.

Poemas & Poesias

+ SONETO (I)

Na dor do coração a morte leio
(Azevedo)
Na alvorada da vida – o sofrimento
Me punge o coração enternecido,
E concentro no peito esvaecido
Os suspiros e ais do sentimento!

Bem como a flor votada a esquecimento
Assim é meu amor constante e fido...
Ninguém perscruta meu penar sentido,
A cisma que me aflui ao pensamento!

Fenece a crença, me maltrata a lida
De u presente cruel, e a sorte odeio,
Detesto os sonhos da ilusão perdida!

E a esperança, que é luz – d’ela descreio!
Maldigo o meu porvir, e odiando a vida
- - Na dor do coração a morte leio.

+ SONETO(II)

Morena, entre as morenas, mais formosa,
Aceita do teu bardo as murchas flores,
Colhidas de um passado nos amores
Do jardim de su’alma lacrimosa.

Une-as ao peito teu, e, amorosa
Aquece nos teus lábios os palores,
Que lhes tiram a vida, e os dissabores
Se tornarão magia venturosa.

Um beijo, um beijo teu com sentimento
Revela muito amor – sincero e puro,
Para quem já conhece o sofrimento

Se assim Mimi, fizeres, seu futuro
Será quieto alívio ao seu tormento,
E viverá na terra mais seguro.

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