José Cândido de Lacerda Coutinho

 
 
José Cândido de Lacerda Coutinho nasceu em Desterro, em 1842. Em 1868, formou-se em Medicina e voltou à terra natal e se envolveu com política partidária. Depois, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde se dedicou principalmente ao magistério e à literatura e subsidiariamente à medicina e à política.
Embora tenha passado grande parte de sua vida no Rio de Janeiro, Lacerda Coutinho, jamais se desprendeu de sua terra natal, pois os jornais freqüentemente publicavam suas poesias, muitas delas inspiradas nos motivos e costumes catarinenses.
Foi, incontestavelmente, o poeta mais representativo do período romântico em Santa Catarina. Faleceu no Rio de Janeiro, em 1900.

Poemas & Poesias

+ ADEUS À VIDA

Sol que despontas! Viração que gemes
Mata que tremes aos suspiros seus!
Ave que saúdas a estação florida!
Falais da vida, mas eu morro... adeus!

+ AMOR DE MÃE

(...)
Que fazer gentil menino,
Ainda tão pequenino,
Aí sozinho a cismar;
Na fria rocha sentado
E o fixo olhar mergulhado
Nas ondas turvas do mar?

Senhor!... quero o meu barquinho...
Ele era tão bonitinho!...
O mar pr’a longe o arrastou!
O meu barquinho... eu o quero
E ainda, Senhor, espero
Que o traga o mar que o levou.

+ GREENHALG

Greenhalg! amigo! irmão! a ti meus carmes!
Ei-lo o meu canto, pálido reflexo
Desse afeto que outrora nos unira!
Por ti (ai! por ti só) triste e sentido
Fui do pó levantar a lira rude...
Esta lira severa e merencória
Que saiba achar sons por ti prezados
E segredos de plácida harmonia
Que, por minh’alma e a tua compartidos,
Convertiam com mística influência,
As duas numa só; nas duas – uma.

+ OLHOS SEM COR

(...)
Temia o olhar desses olhos
Como temo agora o seu,
Pesar de que, como disse,
Meu coração já é morto.

Mas pode olhar-se sem susto,
Não me causa mal algum;
Meu coração já é morto
E eu não tinha senão um.

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