Lindolf Bell

 
 
Nasceu em Timbó, Santa Catarina. Cursou Dramaturgia na Escola de Arte Dramática de São Paulo. Em 1964 criou o movimento Catequese Poética, com a finalidade de levar poesia às ruas, estádios, fábricas, teatros, boates, escolas e clubes. Esse projeto até hoje tem reflexos na cultura brasileira.
Participou de inúmeras antologias brasileiras e internacionais. Traduzido para o alemão, inglês, italiano, belga e espanhol. Dedicou-se à crítica das artes plásticas e da poesia.
Desenvolveu em Santa Catarina, e especialmente em Blumenau, um trabalho de cultura, com poemas gravados em praças públicas. Criou o corpoema - camisetas com poemas impressos em escala industrial.
Foi atuante na divulgação das artes plásticas locais e nacionais, numa tentativa de descentralização dos pólos culturais no país. Faleceu na véspera de completar 60 anos de idade, em 1998.

Poemas & Poesias

+ DA TERRA I

O gosto da terra
trago.
Debaixo da língua,
na fome diária.
Real,
e ao mesmo tempo,
imaginária.

O rastro de terra
deixo.
No ser em flor
– côncavo e convexo
sobre a terra.

O rosto de terra
guardo.
Nos arames tensos
da vida,
entre a teia tecida
no amanhecer
da palavra terra.

Rosto a rosto.
Segundo a segundo.
Finito, infinito.
E, inconcluso,
apesar
do intenso uso.
(...)

[in As vivências elementares, p. 17]

+ DAS CIRCUNSTÂNCIAS DO POEMA I

Não seja o poema
um pendão dobrado
na gaveta
da palavra dobrada

Não seja o poema
o joelho dobrado
nas circunstâncias
ou exercício de si mesmo
em torre semântica
nem a palavra quebrada
antes do infinito (...)

[in As vivências elementares, p. 123]

+ Sem título

“O homem quando sabe da fonte,
vai beber à noite para não revelar o lugar.
O homem quando descobre a mina,
faz um canal debaixo da terra para usufruí-la sozinho.
O homem quando conhece o poder da bolsa,
tranca o cofre e joga a chave fora.
Depois une-se de um detetor de mentiras
para arrancar a verdade dos outros.”

(In: Incorporação)

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