Marcelino Antônio Dutra

 
 
Não se sabe ao certo o ano de nascimento de Marcelino Antônio Dutra. Sabe-se somente que foi nos primeiros anos do século XIX. Em 1852 foi promotor público da capital. Filiou-se ao partido liberal, ocasião em que foi deputado quase vitalício. Foi deputado à Assembléia Provincial de 1844 a 1867. Constituía atitude pitoresca no deputado Dutra o fato de vir de canoa do Ribeirão até o trapiche que dá acesso ao mercado da cidade; ali desembarcava, fazia esvaziarem o conteúdo do barco – hortaliças várias – e, com aquele ar de matuto que nunca perdeu, rumava para a Assembléia onde se tornava, de repente, ardoroso combatente. Ficaram famosas as suas polêmicas com Arcipreste Paiva e suas poesias satíricas que foram espalhadas pelos jornais. Era chamado pelos seus adversários como o poeta do brejo.

Poemas & Poesias

+ E a crítica dos jornais:

Ali sandices vomita
O fofo “Libertador”,
Em camisas de onze varas
Foi meter-se a falador

Seu alvo (diz a Gazeta)
Foi deprimir o rival,
Há quero-queros, que imitam
As gralhas em falar mal.

Sobre as aves inocentes
Esvoaçava o detrator,
Fede a todos sem piedade,
Sem respeito, sem pudor

Não houve aí tico-tico
Papa-arroz ou tangará,
Pobrezinho, que escapasse
À língua ferina e má.

+ SONETO

“Eu por ti, tu por outrem, padecemos.
Dele amada não és, nem tu me amas,
Co’o amor, que lhe tens, teu peito inflamas,
Ralas meu coração, e assim vivemos;

Nem esperanças há, que melhoremos,
Se não deixas o vil, com que te infamas;
Apaga desse afeto as negras chamas,
Sê-me grata, e felizes viveremos”.

Assim falei a Júlia em nossa sorte,
Quando Ela respondeu-me entristecida,
Com desdenhoso som, magoada, e forte:

- Não te inquietes por ver-me consumida;
Se pode o seu desprezo dar-me a morte,
Também sem amor não presta a vida.

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