Maura de Senna Pereira

 
 
Maura de Senna Pereira nasceu em Florianópolis, onde exerceu o magistério secundário, iniciou sua carreira jornalística e publicou o primeiro livro. Sua obra Cântaro de Ternura, de poemas em prosa, teve repercussão além de Santa Catarina. Publicou seus poemas em revistas e suplementos.
Sua estréia na poesia deu-se em 1949, com “Poemas do Meio-Dia”, quando já estava no Rio de Janeiro, cidade que veio morar definitivamente em meados da década de 40 e onde se casou, ainda jovem, com o erudito professor e poeta Almeida Cousin.

Poemas & Poesias

+ OS ARCANJOS

Com o leite das ovelhas
Por leões apascentadas
Doze filhos vou criar.

Não subirão às estrelas,
Não descerão às jazidas,
Que já lhes tenho missão.

Em doze corcéis alados
(para eles vão nascer
com rubros sóis sobre as asas
em doces pastos de flor),
nosso reino deixarão.

E com rosas simplesmente
- Nem espadas nem punhais –
Com doze rosas sagradas

Farão por terra tombar
A cabeça do Dragão.
Amor então se erguerá
E rosas rebentarão
Na terra, no céu, no mar.
Em doze corcéis alados
Com rubros sóis sobre as asas
Os doze cavalgarão.
(O lábaro com a Rosa
suspensa sobre o Dragão).

Em doze corcéis alados
Nosso reino deixarão.
E só depois de plantarem
Rosamor em toda a Terra,
Os doze regressarão.

[in Hora da comunicação]
[da obra A Dríade e os Dardos, págs. 159-160, Rio, 1978]

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