Nicolau Nagib Nahas

 
 
Nagib Nahas nasceu na cidade de Campos, Rio de Janeiro, a 2 de março de 1898. De descendência síria, veio para Florianópolis, ainda criança.
De 1925 a 1932 trabalhou em várias peças teatrais. Marcou época, em 1927, a revista “Ilha dos Casos Raros”, de sua autoria. Membro ativo de sociedades literárias, grande orador, marcava presença constante em jornais e revistas da época, com poesias, crônica social, comentários sobre teatro, poesia e política. Ocupou a redação da Revista Ilustrada, A Semana e Revista Ilha Verde. Além de numerosos poemas esparsos, publicou os seguintes livretos: Hosanas ao Estado de Santa Catarina, Canções Incultas, Boas Festas, Prelúdios Vespertinos e em edição póstuma, em 1947, a família publicou Versos de Minha Vida.
Seus versos são sempre metrificados, de rima constante, predominando o soneto. Há muita poesia de circunstância, celebrando momentos patrióticos, personalidades ou membros familiares. Depreende-se de muitos poemas seus uma grande fé e confiança em Deus, ao lado daqueles momentos de pessimismo, como também manifesta seu profundo sentimento de solidariedade.

Poemas & Poesias

+ ASPIRAÇÀO SUPREMA

Alma que tanta dor sofreste, certo
Outra não há como esta que persegue
O meu ser que da mágoa vive perto
E as pegadas da Angústia ansiosa segue...

Alma que já descreu de tudo...Agora
Enclausurada vive no meu ser;
Já não lhe emociona o vir da aurora,
Só quer silêncio e dor...Só quer sofrer!

Predestinada à Dor, à Dor cativa,
Mesmo que ela assim na mágoa viver
Ela aspira sorrindo alguma cousa...

É desgarrar-se um dia da matéria,
E voar em busca da Mansão Sidérea,
Ou descansar por fim sobre uma lousa!...

SOFRER
Sofrer é a lei da vida!
É pelo sofrimento
Que se adquire a experiência sábia,
Que analisa, que julga e que nos salva
De erros futuros e futuras faltas.
(in: Anuário Catarinense 1956, p. 114, acervo Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina)

PRANTO
O pobre soluça e sofre,
Mas abafa tristes ais;
E o rico blasfema e impreca
Por não poder gozar mais.

Chorar é bom, lava os olhos
E as mágoas do coração;
Mas eu prefiro lavá-los
Com água pura e sabão.
24.5.1928
(im Anuário Catarinense 1956, p. 114, Acervo Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina).

A POLÍTICA
A Política é isto:
Hoje soldado e amanhã comandante:
Um batalhão de amigos dedicados
Ao menor apelo, em prontidão.
Discursos, elogios,
Passeatas e festas
E banquetes às dúzias...
E, quando não se espera,
Vem a notícia triste e pungitiva:
Soldado novamente! Rebaixado!
E os "amigos leais", os "bons amigos"
De banquetes, saraus e passeatas,
De pedidos de empregos,
Os "bons amigos",
Deixam o "soldado" só, abandonado
E, em bandos, sorridentes,
Vão abraçar o novo comandante...
6/10/1928
(In Anuário Catarinense 1956, acervo Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina)

+ ÁRVORE VELHA

Como a árvore velha, desgalhada,
Que não dá frutos mais, nem folhas tem,
Nem sombra amiga pode dar a quem
Parou, exausto e exangue em meio à estrada,

Ó minha mãe assim sou eu também,
Porque tu foste a seiva pura e amada
Desta existência minha atribulada,
A vida, o encanto, o amor, o anseio e o bem!

Eu guardarei, porém, a graça e o encanto
E a bondade de teu olhar tão santo
E os beijos que me deste, idolatrados.

Como a árvore velha guarda ainda
A saudade do tempo que foi lida
E teve seiva e ramos enflorados!

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