Othon D'Eça

 
 
Jornalista, poeta e ficcionista, nasceu em 1892, em Florianópolis. Foi um dos fundadores da Academia Catarinense de Letras. Publicou a prosa poética “Cinza e Bruma”, o diário de viagens ao interior do Estado intitulado “Aos Espanhóis Confinantes”, a tese de concurso “A propriedade Quiritária” e “Homens e Algas”, contos e memórias. Deixou inéditas: Vindita Braba e o diário de viagens Nossa Senhora de Assunção.
Foi publicado originariamente “A Penhora de João Saibro” na Revista do Brasil, em 1924, por iniciativa de Monteiro Lobato, sendo posteriormente incluído “Homens e Algas”.
Faleceu em 1965, em Florianópolis.

Poemas & Poesias

+ AS FALAS DAS AREIAS

Oh! Alvos cômoros de areias
Exilados na Lagoa,
Qual a dor que vos anseia
Para andardes sempre à toa?

Que tortura vos enleia,
E dentro de vós reboa,
E à luz do dia se alteia
Em giba que se amontoa?

E os cômoros que me escutaram,
Subindo à escada do vento,
Vieram a mim e falaram:
Nós somos como a criatura,
Mudamos todo o momento
Em busca a uma ventura.

[in Cinza e Bruma e Poemas Diversos, FCC Edições - Edição comemorativa do centenário]

+ CANTIGAS ILHOAS

Cigarras d’asas de renda,
Perdulária da canção,
Verde folha de uma lenda,
Que o inverno atira no chão!
Cigarras d’asas de renda,
Voz alada do verão!

Chegaste! E quanta alegria
O teu canto espalha no ar!
Até parece que o dia
Se ajoelha a te escutar.
Chegaste! E quanta alegria
Vem teu canto despertar!

Mas é triste a tua sorte,
Que se desfaz como os ninh0s!
Vem o frio e vem a morte,
E rolas pelos espinhos.
Mas é triste a tua sorte,
Flor de canto dos caminhos!.

[in Antologia da Academia Catarinense de Letras, coleção n. 1, p. 381]

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