Semíramis

 
 
Maria Carolina Corcoroca de Sousa nasceu em Florianópolis, então Nossa Senhora do Desterro, em 12 de abril de 1856. Casou-se a 10 de outubro de 1874 com José Brasilício de Sousa(autor da música do Hino do Estado de Santa Catarina). Nasceu Semíramis para as atividades literárias praticamente com o Sul Americano. Seu trabalho poético está datado de 1º. de março de 1883, aos 27 anos. Semíramis, que recebera educação esmerada e tinha pendores para a poesia, encontrou meio fértil para aperfeiçoar-se e expandir o seu talento poético, pois, casada com um homem de grande cultura e sensibilidade artística, tinha ainda a ocasião de participar semanalmente das tertúlias literárias e musicais que Brasilicio costumava realizar em sua casa da rua Álvaro de Carvalho, e às quais compareciam as pessoas cultas da cidade, entre outras os maestros Hautz e Adolfo Melo; os professores Eduardo e Horácio Nunes Pires, Bueno de Gouvêa e Lapagesse; os Doutores Frederico Rolla e Duarte Schutel; os poetas Cândido Melquíades de Souza, Delminda Silveira, Celmira er Edésia Aducci. Houve, na época em que apareceram os versos de Semíramis no “Sul Americano”, e mais tarde, no órgão literário “O Ideal” (1905 a 1909) um mistério envolvendo a festejada poetisa, que ninguém conseguia identificar entre as mulheres da época que se dedicavam a trabalhos literários em prosa e verso e que, diga-se de passagem, não eram poucas. Maria Carolina faleceu a 25 de março de 1910, perto de completar 54 anos. Por ocasião do velório, Brasilicio, comovido disse a amigos que o cercavam: “É, meus amigos, lá se foi a nossa Semíramis”, desvendando, assim, para muitos, o mistério daquele pseudônimo que intrigou por tempos o mundo literário de Florianópolis.

NOTURNO
À distinta poetisa, D. Delminda Silveira

Nas sombras que vão descendo,
de manso cobrindo a terra,
em turvo manto envolvendo
as graças que o dia encerra,
há tanta soberania,
que o pensamento se eleva
e nos traz da densa treva
do passado, a poesia.
(...)
No mar que jaz prateado
pela doce luz da lua
pairam os perfumes do prado,
e a baleeira flutua.
As auras falam de amores,
deixando cair de leve
das brancas asas de neve
o canto dos pescadores.
(In Coleção Educar n. 2 Série História volume I, MEC – “Mulheres exemplares”.

S/título(Semíramis)
Aquela flor perfumosa
que em uma tarde saudosa
me deste como lembrança,
tinha a cor das açucenas
filhas das manhãs serenas
rorejadas de esperanças.

Guardei-a com todo agrado
de meu peito junto ao lado
em que pulsa o coração
vive louca em minh´alma
derramando nela a calma
com seu possante condão.

Talvez tu julgues perdido,
para mim de todo esquecido
esse expressivo penhor.
Só se o homem desconhece
que a mulher jamais esquece
da origem do seu amor.

S/título
Aquela flor perfumosa
que em uma tarde saudosa
me deste como lembrança,
tinha a cor das açucenas
filhas das manhãs serenas
rorejadas de esperanças.

Guardei-a com todo agrado
de meu peito junto ao lado
em que pulsa o coração
vive louca em minh´alma
derramando nela a calma
com seu possante condão.

Talvez tu julgues perdido,
para mim de todo esquecido
esse expressivo penhor.
Só se o homem desconhece
que a mulher jamais esquece
da origem do seu amor

Poemas & Poesias

+ Sem título

Aquela flor perfumosa
que em uma tarde saudosa
me deste como lembrança,
tinha a cor das açucenas
filhas das manhãs serenas

Nos teus sonhos febris me vês casada:
um esposo eu aspiro, quem mo dera!
seria um belo sol de primavera
a aquecer minh’alma enregelada.

Não me iludes! pretendes as maduras,
e disfarças, as verdes semeando;
mas o tempo, fugaz, vai se escoando
sem ao menos mostrar o que procuras.

Se “aquela” a quem convicto te referes
compassiva o delito perdoar,
é mister que te possas emendar,
porque graça de mim, ó! não esperes!

Letra de Semíramis e música de Abelardo Sousa
[in Sul Americano, nº 105, de 20 de outubro de 1901]

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