Trajano Margarida

 
 
Trajano Margarida nasceu no Desterro, a 16 de janeiro de 1889. Participou decididamente das manifestações e círculos literários do seu tempo, marcando presença constante em jornais e periódicos.
A morte de seu filho Nélson, aos 20 anos, marcou sensivelmente sua vida e poesia. Chamado de poeta do povo, devido à sua despreocupada simplicidade, deixou vasta produção esparsa em jornais, além de uma série de livretos, como: O Natal do Orfãozinho, Pic-nic da Morte, A fome e a Seca no Ceará, Minha Terra, Brack, Paz, Nélson, A Pátria e o Sorteado.
Poeta sentimental e sofrido, sua poesia abarca diversas linhas, como: a temática amorosa e de saudade, reflexões de fundo religioso, poemas de circunstâncias sociais, casos familiares e pessoais e muitas letras de hinos.

Poemas & Poesias

+ ETERNA SAUDADE

Esquecer-me de ti, não me foi dado ainda,
Um momento, sequer, durante a tua ausência.
Comigo vive sempre esta saudade infinda,
A iluminar feliz meus dias de existência.

A todo instante escuto a doce confidência
De uma jura de amor, cheia de afetos, linda.
Do teu olhar de santa, eu sinto a refulgência,
Aclarando a saudade eterna que não finda.

Ainda hoje, ó minha amada! O berço teu beijando,
Recordei-me de ti, que outrora, em tua boca,
Muitos beijos depus, cheio de amor, cantando.

Por isso é que minha alma atroz gemido solta,
Clamando sem cessar, cheia de angústia, louca:
- Meu passado feliz!... Não me desprezes!... Volta!...

+ MÃO

A mão que ampara, afaga, anima e que abençoa,
Que acena, benze em cruz, que enxuga o pranto e cura;
A mão que num adeus tremula por ser boa,
Porque obedece à lei do afeto e da ternura;

A mão da majestade altiva, que coroa,
Que em gestos, fortalece a essência de uma jura;
A mão que assina a paz, que alenta e que perdoa
Erguida para o céu, mostrando Deus na altura,

É divinal em tudo. É um mundo de grandeza.
É uma réstia de luz na qual sempre se abriga
O que há de mais perfeito em toda a natureza.

Porém, a que é mais santa em todo o seu fadário
É aquela que a tremer de velha e de fadiga,
Desfia lentamente as contas de um rosário.

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