Liberato Bittencourt

 
 
Nasceu em Florianópolis, em 30 de outubro de 1869. Filho de Francisco Bittencourt e D. Maria Bernardina Duarte Bittencourt. Era o segundo filho do casal. O mais velho, Horácio Bittencourt, era major da Polícia Militar quando faleceu. Outra irmã Filomena Bittencourt da Silveira, casada e o capitão Francisco Bittencourt, oficial do Exército, falecido no Paraná em 1910. Dos irmãos era o único sobrevivente. Perdeu seus pais muito cedo, tendo sido educado por sua avó materna. Fez os primeiros estudos em Florianópolis e foi muito moço para o Rio de Janeiro onde assentou praça, matriculando-se logo a seguir na antiga Escola Militar das Praia Vermelha, pela qual tinha filial devoção, que conservou até o fim de sua vida. Serviu a seu pedido durante um ano e pouco em Florianópolis, para rever saudoso a terra natal. Desde cedo mostrou grande pendor para as letras, tendo colaborado em diversos jornais e revistas do Rio e dos Estados. Escreveu no País, na Imprensa de Alcindo Guanabara, de quem foi grande amigo, no Correio da Manhã, na Tribuna, onde durante muito tempo foi crítico militar na Noite, durante a guerra de 1918, e em muitos outros jornais, sendo colaborador do Jornal do Comércio em que escreveu até junho de 1948. Era doutor em matemática e ciências físicas, engenheiro militar, tendo como engenheiro trabalhado dois anos na Central do Brasil onde deixou vasto círculo de admiradores pela sua brilhante atuação ali. Ensinou na Escola Militar do Realengo. Foi professor e instrutor de estradas. Por essa ocasião escreveu uma Caderneta de Campo destinada aos moços engenheiros, que não chegou a publicar. Fundou em 1913, no rio, o Colégio 28 de Setembro onde, sob moldes rigorosamente militares, educou com carinho e patriotismo diversas gerações. Professor de Português e Literatura Comparada. Sócio da Academia Petropolitana de Letras e da paranaense José de Alencar. Sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, honorário do de Sergipe e correspondente do da Paraíba e de Pernambuco; condecorado com a Medalha de Mérito Científico da Academia de Palermo(Itáli) e com a de prata e a de ouro de Mérito Militar. Doutor em Filosofia. Tinha pendor para a poesia, que deixou esparsa por jornais e revistas e ainda grande número nos álbuns de suas alunas. Autor de Flores e Mágoas, publicações de 1896 no Rio da Prata, vertidas para o espanhol, logo depois, pelo poeta boliviano D. Leon Velasco, então cônsul da Bolívia em Corumbá. Casou com Isaura Bittencourt, nascida em Sergipe. Deixou três filhas e um filho, Major Liberato Bittencourt Filho, professor de matemática na Escola da Aeronáutica; seis netos, sendo o mais velho o 1o. tenente Liberato Bittencourt Neto que foi instrutor militar da Escola Militar de Resende e três bisnetos, sendo que o mais moço, nascido um mês apenas depois de sua morte tem igualmente o seu nome. Tinha verdadeira veneração por Santa Catarina que chamava Santa Terra. Seu primeiro livro publicado foi uma aritmética escrita juntamente com seu colega Samuel de Oliveira e com quem escreveu também uma geometria. Publicou: Crítica e Filosofia, em 2 volume; Duas Dezenas de Imortais, em 2 volumes; Novas Dezenas de Imortais; Pírulas, os romances psico-biográficos que ele considerava o romance do porvir; Psicologia do Barão do Rio Branco( que lhe abriu as portas do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro); Ramos do Saber; Estudo da Língua Portuguesa; Academia Brasileira de Letras, em 2 volumes; Nova História da Literatura Brasileira, entre muitas outras. O general Liberato Bittencourt falava corretamente o francês, o inglês, o alemão e o italiano, tendo diversas vezes discursado nas duas primeiras línguas. Falava também o espanhol. Era profundo em português e constantemente chegavam às suas mãos consultas sobre o difícil manejo da Língua pátria e que ele respondia imediatamente sem vacilações e com o entusiasmo que punha em todos os seus atos e feitos. Era sócio do Instituto de Geografia e História Militar, membro da Federação das Academias, da Sociedade de Filosofia, da Sociedade de Geografia, do Rio de Janeiro e outras sociedades literárias e científicas pelo Brasil e fora dele. Foi professor durante vários anos da Escola de Guerra Naval. Faleceu em 14 de dezembro de 1948, no Rio. O Paraná lhe prestou grande homenagem póstuma, tendo o Círculo dos Estudos Bandeirantes lhe dedicado uma sessão magna. A Academia Brasileira de Letras, a Academia de Letras de Petrópolis, a Academia Carioca de Letras e a Federação das Academias de Letras do Brasil também prestaram homenagens. E os catarinenses? Somente deram seu nome a uma rua.

[texto escrito por uma de suas filhas para o Anuário Catarinense de 1950 – acervo do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina].

Poemas & Poesias

+ Sem título

Eu venho do jardim trago-te flores,
Tão cheirosas, tão lindas, tão de gosto
Que parecem, meu bem, que têm as cores
Das rosas lindas de teu lindo rosto

E fui muito longe. Oh! pra colher flores
Capazes de ficar ao lado teu
Foi mister suportar duros labores,
Foi preciso, querida, entrar no céu!

E eu aí entrei. Tudo corri
Minuciosamente, colhi as flores
Sem nada achar que se igualasse a ti.
Bogari do Jardim dos meus amores

E se no céu se não encontram flores
Capazes de ofuscar o brilho teu,
Querida, é que o jardim dos meus amores
Inda é mais belo que os jardins do céu!

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