Eulália Maria Radtke

 
 
Nasceu em Gaspar, SC, a 6 de maio de 1949. Escritora e jornalista, participa de diversas antologias, seletas e coletâneas literárias, estaduais e nacionais. Foi premiada no Festival de Inverno de Itajaí, Concurso de Poesias em 1976; conquistou o Prêmio Ferreira Gullar, Concurso Nacional do Paraná, dentre outros. Na Coleção Cultura Catarinense tem editado o livro Espiral (poesia) 1980.

“...o poema de Eulália Maria Radtke procura o tempo todo uma chave da consciência. Porque a chave da consciência é a chave do ser. E pela consciência do ser, o poeta revela o seu interior, o mundo avesso da face invisível do mundo”. (Lindolf Bell)

(In: Contos e Poemas- vencedores do Concurso Virgilio Várzea. Fpolis, FCC Edições, 1979)

Poemas & Poesias

+ MINHA CONVERSA COM DEUS EM QUALQUER LUGAR

I

Por que somos tão poucos na terra?

Eu te pergunto tantas vezes
Deus,
e tua resposta é o silêncio
misturando-se ao meu.
E tua resposta é mais que silêncio,
- vôo rasante em minha face –
e mesmo assim,
sempre hei de perguntar-te
em que canto da existência
mora a minha viagem.

Sempre hei de chamar-te
na hora física.
E gritarei teu nome
na hora da dor – coração,
porque esta

é a morte maior

II

Eu pularia esta fortaleza de solidão
se o amor chegasse.
Ah! este conferecista de paz, e guerra,
este viajante sem estação.

Ando curvada sobre a terra.
Minhas frases eu construo
e é no espelho que procuro o encontro:
que doam as trágicas presenças
as cômicas ausências
os dramas dos encontros sem farsas.

Não quero moedas espalhadas .
No bolso há o estranho ritmo
- faca de prata, rosto desesperado.

Penso estar ouvindo a tua canção.
Deus,
mas o coro é dos homens.

III

Nasci num dia seis de maio
Cheguei com um rosto de sol maduro,
- pensava dominar a terra -
hoje me transformo em coisas,
e meu idioma tem regras de silêncio.

Vem,
que minhas loucuras
já se banham nas águas da Divindade.

Salva-me
antes que a noite venha sobrevoar
a claridade.

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