Rodrigo de Haro

 
 
Filho do pintor Martinho de Haro, nasceu em Paris. Pintor e gravurista, é precursor do chamado realismo fantástico, como já demonstrava sua exposição de águas-fortes promovida em São Paulo, em 1960.
Sempre escreveu poesia, o que para ele é “uma ocupação religiosa, ou mágica’.
Colaborou na revista Diálogo, de Vicente Ferreira da Silva, e liderou no início da década de 60, em São Paulo, o movimento poético que renovava o interesse pela poesia e a maneira de dizê-la.
Publicou Trinta poemas, A taça estendida e Pedra elegíaca.
Reside em Florianópolis, na Lagoa da Conceição.

Poemas & Poesias

+ PARTIDA

Dormirei nas fendas da rocha
Acordarei antes do dia
Os silêncios fechados à minha volta
Sete silêncios coloridos
Outras sete batidas de bigorna
Sete pássaros do estrangeiro.

Na cela luminosa
Não vejo um espelho
Só vejo a bilha fria
Da manhã do mundo
A subida do monte pede
Exata estrategia
Eu subirei por caminhos maliciosos
O vento da estrela será meu guia
Dormirei nas fendas da rocha
Acordarei antes do dia.

(In: Pedra elegíaca)

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