Lauro Müller

 
 
General, poeta, prosador, crítico e jornalista. Político acima de tudo. Se vivesse mais alguns dias, iria certo à curul presidencial, seu sonho de moço desde alferes-aluno. Pinheiro Machado o cognominou com profundez “raposa de espada à cinta”. Nunca ninguém o compreendeu. Feito seu:

Poemas & Poesias

+ DEUS

Na minha adolescência o mestre me ensinava
(E aos amigos de infância ele ensinou também),
Que quando lá no Egito o povo hebreu chorava,
Deus mandou-lhes Moisés, por lhes mandar um bem.

“Depois, dizia o mestre, o povo hebreu, vê bem.
Fugia à escravidão: e quando atravessava
O mar, que de Vermelho o nome inda hoje tem,
O Deus onipotente as águas afastava”.

Coração de criança, alegre o meu batia,
Porque livre na fuga o povo escravo eu via:
E ainda hoje conservo o mesmo coração.

Foi ele que pulsou outrora de contente,
E isócrono repete agora coerente
Um bravo ao ver a fuga além do Cubatão.

(In: Anuário Catarinense 1949, p. 89)

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